Foto mostra aula em novembro Escola Municipal de Aplicação Carioca Coelho Neto, no Rio de Janeiro, enquanto algumas escolas retomam a abertura gradual. — Foto: Pilar Olivares/Reuters

Sistema, com parte das aulas presenciais e parte à distância, será adotado em ao menos 22 delas. Dessas, 16 tiveram 1º semestre 100% remoto.

Alunos do ensino infantil das redes municipais terão mudanças no formato de ensino com o início do segundo semestre letivo.

Volta às aulas no ensino infantil municipal das capitais

EsquemaNúmero de capitais
2º semestre híbrido após 1º semestre remoto16
2º semestre híbrido, como no 1º semestre6
100% remoto1
100% presencial1
Sem definição1

Fonte: G1

Em 16 das 27 capitais brasileiras, os alunos poderão voltar às aulas presenciais pela primeira vez, segundo um levantamento do G1.

Em AracajuBelémBrasília (rede distrital), Campo GrandeCuritibaFortalezaGoiâniaMacapáMaceióNatalPalmasRecifeSalvadorSão Luís e Vitória, as aulas no primeiro semestre foram totalmente remotas; no próximo semestre, serão híbridas. Em Cuiabá, também será híbrido, mas o reinício será apenas em outubro.

(CORREÇÃO: O G1 errou ao informar que em 17 capitais o ensino infantil municipal passará remoto para híbrido no 2º semestre. Na verdade, são 16. Em Rio Branco, o ensino infantil já foi híbrido no 1º semestre e deve seguir assim no 2º. A informação foi corrigida às 9h40.)

Em Porto Alegre, as aulas serão totalmente presenciais, com ida obrigatória à escola. No primeiro semestre, as escolas municipais adotaram o modelo híbrido. Além da capital gaúcha, outras duas capitais terão o retorno às aulas majoritariamente presencial na rede municipal: Belo Horizonte e Rio de Janeiro. As crianças poderão ficar em casa e ter aulas remotas. As duas já adotavam o modelo híbrido no 1º semestre.

Outras 4 que já adotavam o formato híbrido no primeiro semestre e vão mantê-lo no segundo: FlorianópolisManausRio Branco e São Paulo.

Apenas uma capital vai manter o ensino 100% remoto na rede municipal, adotado também no primeiro semestre: Boa Vista.

Três capitais ainda estavam em discussão sobre a data de retomada ou não tinham modelo de ensino determinado até a sexta-feira (30) : João PessoaPorto Velho e Teresina.

O pediatra Marcelo Otsuka, coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), lembra que muitas crianças não têm acesso à internet – e, quando têm, é só pelo celular.

“Já são situações que limitam muito essa possibilidade [de aula à distância]. As crianças precisam estar num ambiente propício para ter um ensino à distância adequado. Dar uma aula à distância não é a mesma coisa que aula presencial. Tem que ter capacitação dos professores para conseguir isso. É possível captar a atenção [das crianças] através dessas aulas? Sim, é possível, mas requer uma técnica muito mais apurada. Não é tão simples assim. Além de todos esses fatores, tem a questão do tempo de tela. Isso também é um problema, a gente sabe”, pontua.

Por outro lado, ele avalia que mesmo a volta no formato híbrido ainda é melhor do que ter um ensino completamente remoto.

“O que é melhor? Não ter nada ou ter alguma coisa com o ensino híbrido? As crianças estão extremamente prejudicadas no desenvolvimento neuropsicomotor. Por pior que seja o ensino híbrido, é melhor do que nada”, diz.

Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos pela Educação, concorda. Além da questão do acesso, ele salienta que o ensino remoto infantil tem “baixíssima efetividade pedagógica”.

“Mesmo que tenha baixa efetividade, cumpre um papel relevante de manutenção do vínculo com o professor, com seus pares. Por isso que é importante lançar mão disso num cenário em que as escolas não podem abrir. É a melhor opção. Mas tem que entender que o ensino remoto é uma solução emergencial – dura um tempo limitado. No Brasil, estamos falando de quase 16 meses de escolas fechadas”, lembra.

Mas, no caso dos alunos menores, essa manutenção do vínculo remotamente não é tão eficaz, explica.

“Do ponto de vista dos [alunos] menores, é claro que a solução remota tem ainda menos eficácia – mesmo no que diz respeito à manutenção do vínculo. O que os especialistas indicam, mais do que soluções tecnológicas, [é que] o que deve se estimular são atividades físicas – em que a própria família possa ajudar”, diz.

Pública x privada

A diferença nos modelos de ensino também muda se a escola for pública ou privada: nenhuma rede particular, até agora, anunciou um modelo 100% remoto para o segundo semestre – mas algumas ainda não comunicaram decisões. A maioria terá aulas híbridas; mesmo as escolas que decidiram pelo formato presencial terão que oferecer o ensino remoto.

Olavo Nogueira Filho, do Todos pela Educação, explica que os impactos da pandemia no ensino só serão conhecidos quando as crianças voltarem às salas de aula – mas que eles serão sentidos com maior intensidade pelas crianças pobres – que, no Brasil, são em sua maioria também pretas e pardas.

“Os impactos são muito heterogêneos – tem o acesso [à internet no ensino remoto], o quanto os pais conseguem apoiar – mesmo dentro de uma mesma região, mesma escola”, explica.

“O que a gente consegue mais ou menos saber das pesquisas que estão saindo, e olhando para pesquisas de outros cenários de fechamentos prolongados de escolas em função de outros contextos, como pandemias localizadas, desastres naturais e pós-guerra, é que os efeitos são de múltiplas naturezas. Não estamos falando apenas de impactos educacionais– mas de efeitos emocionais, sociais, e em alguns casos de ordem física”, afirma Nogueira Filho.

“A gente também já sabe que os efeitos são de repercussão duradoura. O melhor exemplo para materializar isso é a experiência de New Orleans, que em 2005 teve o furacão [Katrina]. Lá as escolas ficaram fechadas por 4 meses. O que aconteceu em termos de impacto? Os patamares de aprendizagem só foram recuperados depois de 2 anos. Isso mostra o tamanho do que a gente deve ter em termos de impacto”, avalia.

Fonte: G1 Globo

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