Profissional de saúde aplica vacina contra Covid-19 em posto montado na FMU, na zona central da cidade de São Paulo — Foto: RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Mudança no cadastro na lista da ‘xepa’ começa a valer a partir da próxima segunda-feira (23). Intervalo para ficar na fila de espera pela segunda dose da CoronaVac permanece sendo de pelo menos 15 dias.

A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (20) uma redução no intervalo mínimo para a inscrição na fila de espera da “xepa” de segunda dose para quem tiver tomado as vacinas contra Covid-19 da Pfizer e da AstraZeneca.

A partir da próxima segunda-feira (23), pessoas que tomaram a primeira dose desses imunizantes há mais de 30 dias podem se inscrever em uma lista de espera por doses remanescentes para adiantar a segunda dose. Antes, o intervalo mínimo para a “xepa” de segunda dose da Pfizer e da AstraZeneca era de 60 dias.

O intervalo mínimo para a fila de espera da segunda dose de CoronaVac foi mantido em 15 dias.

Sem a fila de espera da “xepa”, o intervalo padrão entre as aplicações das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca no Brasil é de três meses; já o da CoronaVac, no estado de São Paulo, é de 28 dias.

A redução do intervalo entre as doses de alguns imunizantes foi uma estratégia adotada em alguns estados como estratégia para combater a variante delta da Covid-19, mas é criticada por diversos infectologistas e pela Fiocruz (leia mais abaixo).

O anúncio da antecipação foi feito pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) nesta sexta. “Hoje, quem tomou AstraZeneca e Pfizer deve aguardar um intervalo de 60 dias. A partir de segunda-feira já poderá se inscrever na xepa para um intervalo de 30 dias. A CoronaVac continua com um intervalo de 15 dias”, afirmou o prefeito.

Para se inscrever, é preciso levar um comprovante de residência até a Unidades Básicas de Saúde (UBS) de referência. As inscrições podem ser realizadas durante o horário de funcionamento das UBSs, e o chamamento é realizado por ordem de inscrição.

Segundo determinação da prefeitura, a unidade de saúde deve manter uma lista de espera com os usuários residentes da cidade de São Paulo, elegíveis em sua área de abrangência, moradores, estudantes e quem trabalha na região da unidade (necessário apresentar documentação com endereço), com telefones para convocação deste público.

A lista de espera visa não desperdiçar doses remanescentes da vacina, e a aplicação está sujeita a sobra ao final do dia em cada uma das UBSs da capital. Por dia, as unidades têm aplicado, em média, de 1,8 mil a 2 mil doses.

Antecipação da segunda dose

A antecipação da segunda dose foi implementada em alguns estados como estratégia para combater a variante delta da Covid-19, mas é criticada por diversos infectologistas e pela Fiocruz.

Em 23 de julho, o governador João Doria (PSDB) disse que a antecipação da segunda dose das vacinas Pfizer e AstraZeneca seria uma possibilidade no estado desde que houvesse estoque suficiente de doses.

No entanto, alguns dias antes, a coordenadora do Plano Estadual de Imunização, Regiane de Paula, havia declarado que o estado não anteciparia a segunda dose de vacinas contra a Covid-19 com intervalo de até 12 semanas porque estudos científicos mostraram que a eficácia dos imunizantes seria menor.

“A estratégia que foi desenhada foi a de não antecipar a vacina da AstraZeneca, porque os estudos demonstram que, quanto mais tempo você tem, melhor a imunidade”, disse Regiane de Paula.

Para Marco Aurélio Sáfadi, infectologista e presidente do departamento de imunização da Sociedade Brasileira de Pediatria, o período de 12 semanas garante uma resposta imunológica mais longeva.

“O que motivou o Brasil a optar por esse intervalo de 12 semanas, e não só o Brasil, mas diversos países europeus, o Canadá, com a vacina AstraZeneca, é que há benefícios após a segunda dose quando você as diferencia por 12 semanas. Você constrói uma melhor resposta imune, você otimiza a proteção após a segunda dose e, provavelmente, deixa essa resposta mais longeva, mais duradoura, porque ela leva a títulos mais altos de anticorpos”, afirma.

Já o o diretor do Butantan, Dimas Covas, alega que é preciso reavaliar o prazo da imunização completa das vacinas Pfizer e AstraZeneca para que elas possam responder à variante delta.

“As vacinas que têm duas doses só completam a imunidade após a segunda dose. No caso do Butantan, esse intervalo é de 28 dias. Então, você completa a imunização mais rapidamente quando comparado com as vacinas que têm intervalo de três meses”, diz Dimas.

“Essas vacinas que têm intervalo de três meses, obviamente que você só vai completar a imunidade passados quase quatro meses da primeira dose. Então, sem dúvida, a possibilidade de antecipação da segunda dose para essas vacinas deve ser considerada, sim”, afirmou.

Fonte: G1 Globo

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