Demissões, terceirização, salários menos atrativos e juniorização de cargos gerenciais marcaram a vida do advogado brasileiro em 2017. Neste ano, porém, a situação deve melhorar um pouco, segundo análise divulgada pela consultoria de recrutamento Robert Walters.

A partir de entrevistas com o alto escalão de grandes empresas do país, a consultoria afirma que a retomada de investimentos em 2018 acarretará um aumento no número de contratações de profissionais do meio jurídico, assim como de outras áreas.

Segundo Guilherme Nicolau, gerente das divisões jurídico, compliance e relações governamentais da Robert Walters Brasil, as áreas com mais oportunidades abertas serão M&A (fusões e aquisições), societário e mercado de capitais.

“Profissionais qualificados e com experiência em banking, financiamentos e meios de pagamento têm sido muito buscados”, diz ele. Também devem surgir oportunidades na área trabalhista, devido à recente reforma da lei. Outras áreas que têm demandado são o contencioso estratégico e a recuperação judicial.

“Também temos tido recorrência recrutando para a área tributária, tanto consultiva como contenciosa”, afirma Nicolau. “Em um país com uma carga tributária tão complexa como o Brasil, a área está quase sempre aquecida”.

Perfil mais procurado varia

O advogado preferido pelos escritórios costuma exibir profundidade técnica, além de“apetite” para desenvolver a frente comercial e captar novos clientes.

“Em grandes escritórios, costuma crescer quem tem habilidade política, além de ‘estômago’ para lidar com a competitividade normal do ramo e trabalhar madrugadas e fins de semana”, explica. Já em escritórios menores (“boutiques”), perfis extremamente técnicos e acadêmicos, com artigos e livros escritos, costumam ser bastante valorizados.

O advogado de empresa tem um perfil bastante diferente: ele é um executivo de negócios como qualquer outro, mas da área jurídica. “É necessário ter jogo de cintura e saber a lidar com os mais diferentes tipos de pessoas, de todas as áreas e hierarquias”, explica Nicolau.

“As empresas gostam de advogados com perfil ‘mão na massa’, que atuem tanto na parte estratégica como na execução, ainda mais com os recentes cortes de custo nas estruturas”. Inglês fluente também costuma ser requisito.

Quem é “mosca branca” no mercado

Um dos perfis mais difíceis de encontrar no mercado atualmente é o do advogado trabalhista com inglês fluente e uma visão apurada de negócios.

“Diversas empresas de fora do país têm dificuldade para lidar com a complexa e polêmica legislação trabalhista brasileira”, diz Nicolau. “O advogado, precisa então ser capaz de entender a fundo a lei, mas ao mesmo tempo comunicar isso de forma objetiva e didática ao cliente estrangeiro”.

Outro profissional que tem sido muito buscado é o advogado de direito público que não tenha um perfil puramente acadêmico. De acordo com o gerente da Robert Walters, os escritórios têm buscado alguém com bagagem técnica, mas com perfil voltado para os negócios. Esse advogado vai lidar com PPPs, concessões, financiamentos, e outros temas relacionados a infraestrutura.

Salários para 11 cargos jurídicos

Segundo o relatório da Robert Walters, a remuneração praticada pelos escritórios de advocacia permanece estável em 2018. O pacote anual varia, dependendo do cargo, entre 70 mil e mais de 240 mil reais.

Já os salários oferecidos por empresas devem registrar uma ligeira variação positiva em todos os cargos — do advogado de nível júnior ao VP.  O total pago no ano para a posição mais sênior analisada pelo relatório pode superar 530 mil reais.

O motivo, segundo Nicolau, é que nas empresas, salvo raríssimas exceções, os salários são reajustados anualmente. Isso ocorre graças a exigências trabalhistas, já que os funcionários são registrados normalmente como CLT.

Por outro lado, o mercado de escritórios tem uma característica específica: a grande maioria das bancas remunera seus advogados como associados, na forma de distribuição de lucros, não havendo uma obrigatoriedade de reajuste de salário.

“Devido ainda aos reflexos da crise, conversamos ao longo de 2017 com diversos sócios de escritório que não pretendiam reajustar o plano de carreira dos associados em 2018, preferindo aguardar a retomada do mercado para decidir se e como fazê-lo”, explica o gerente da Robert Walters.

Fonte: Exame

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