As relações pessoais no trabalho importam muito. E, por mais que pareça errado ou injusto, os primeiros contatos entre um gestor e sua equipe são cruciais. Podem determinar em quem o chefe vai confiar para passar as tarefas mais difíceis ou qual funcionário terá mais afinidade para trabalhar com outro. Mas construir essas boas relações depende também de fatores externos e individuais, defendem Cristiano Guarana, professor da Escola de Negócios de Kelley, da Universidade de Indiana, e Christopher M. Barnes, professor da Escola de Negócios de Foster, da Universidade de Washington. Em estudo, os professores descobriram que a qualidade do sono pode afetar de modo significativo a qualidade das relações no trabalho, entre chefes e funcionários. A ciência já mostrou que a falta de sono diminui o carisma de um líder e pode levar ao comportamento abusivo de um chefe com seus funcionários. Recentemente, os dois se debruçaram sobre o impacto do sono sobre o relacionamento entre novos funcionários e seus gestores analisando situações em empresas brasileiras. Os resultados foram publicados em artigo da Harvard Business Review. 

“Começamos da premissa de que a falta de sono pode fazer com que líderes e funcionários sintam emoções mais negativas quanto ao trabalho (na forma de hostilidade)”, explicam. Afinal, você provavelmente vai se lembrar da última vez em que teve uma crise de insônia e foi trabalhar extremamente irritado no dia seguinte. Essa experiência é um tanto comum, e tem a ver com o fato de que dormir mal atrapalha os processos no cérebro que envolvem a regulação das emoções.

A hostilidade pode ser muito prejudicial a uma relação que está apenas começando a se formar. A outra pessoa se sente ameaçada, o que corrói a sensação de segurança psicológica daquele momento e contexto. “Um único episódio de gritar hostilmente com um funcionário pode ser desculpado. No entanto, se for uma prática recorrente, o empregado pode começar a sentir que o chefe não tem respeito ou empatia”, afirmam os pesquisadores.

No estudo, os pesquisadores examinaram os dois lados: o do líder e o dos funcionários. Eles conduziram dois estudos com chefes e novos funcionários em empresas brasileiras. No primeiro, 86 duplas de chefes e empregados tinham acabado de começar a trabalhar juntos e responderam a uma pesquisa completa sobre sono, hostilidade, qualidade do relacionamento e outras variáveis utilizadas como controle estatístico. “Coerente a nossa expectativa, descobrimos que a privação de sono prejudicava a percepção do funcionário sobre a qualidade do relacionamento com o chefe. O efeito também foi sentido do outro lado: a falta de sono por parte do chefe também prejudicava a percepção sobre a qualidade do trabalho do funcionário”, disseram os pesquisadores.

No segundo estudo, os pesquisadores pediram que os entrevistados respondessem a uma série de perguntas ao longo de três meses. Sem surpresas, o resultado foi similar ao do primeiro estudo. “Descobrimos também que os líderes que dormem mal não conseguem perceber que a sua privação de sono atrapalha a relação com seus funcionários”, escrevem Guarana e Barnes. “Assim como uma pessoa que bebeu demais não consegue perceber que terá a capacidade de dirigir comprometida, os líderes que não dormem bem não têm ideia do quanto isso faz com que seus funcionários não confiem e não gostem deles”.

Essas descobertas têm implicações diretas no ambiente de trabalho. “Sua relação com seus funcionários diretos é um dos recursos mais preciosos que você tem. Você consegue extrair mais disso e conseguir um trabalho mais eficiente se seus empregados confiarem, gostarem de você e te respeitarem”, dizem os pesquisadores. Prejudicar essa relação, ainda mais sem perceber, é uma forma de sabotar a si mesmo e a sua equipe. “Pode ser tentador trocar algumas horas de sono para trabalhar mais e diminuir a lista de pendências, mas ao fazer isso, você estará sabotando a sua própria chance de sucesso no futuro”, defendem os pesquisadores.

Fonte: Época Negócios

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