GUSTAVO COLTRI

Diante de uma grande plateia ou de poucas pessoas em uma sala de reunião, mais cedo ou mais tarde todos passarão pelo desafio de apresentar com eficiência ideias, projetos e pontos de vista – desafios que podem colocar em jogo decisões empresariais e trajetórias de carreira. Ficar atento a algumas técnicas pode ajudar a evitar gafes nesses momentos-chave.

“Eu diria que uma boa apresentação tem de ser clean, leve e objetiva. Ela tem de ir direto ao ponto e precisa fazer sentido para a audiência”, diz a especialista Joyce Baena, sócia-diretora da empresa de apresentações corporativas La Gracia.

Os discursos, ainda que informais, são baseados em três aspectos fundamentais: o roteiro, os recursos visuais e a performance do apresentador. Segundo Joyce, o grande desafio das apresentações é manter esses três aspectos equilibrados – claro que respeitando as características de cada evento.

“As melhores palestras são aquelas em que o assunto sobressai. E, quando você tem um o público variado, é preciso fazer o mínimo ruído possível para não atrapalhar. Pode acreditar: tem gente que não consegue prestar atenção até quando a pessoa que está falando tem pelos saindo pelo nariz”, conta.

A vice-presidente de inovação em pesquisa qualitativa da Firefly Millward Brown Brasil, Raquel Siqueira, e sua equipe têm diariamente a tarefa de apresentar com clareza e atratividade pesquisas de avaliação de campanhas publicitárias aos clientes da companhia. “Comunicar está no nosso DNA, mas não significa que sempre vamos conseguir passar as ideias da melhor forma. Não adianta fazer as pesquisas e mostrar só um monte de gráficos”, conta.

Ela considera importante ser ágil no momento de transmitir informações, sem abrir mão de recursos audiovisuais e de designs atraentes para os executivos. “As pessoas não têm tempo nem paciência. E, hoje, vivem com muitos estímulos em volta delas, então a informação tem de ser relevante. Costumamos apresentar filmes mostrando cenas do consumidor, mas eles não podem ter mais de cinco minutos. Ninguém aguenta.”

Desafio cotidiano. Raquel Silveira e equipe buscam usar a criatividade sem abrir mão do foco e da agilidade durante apresentações com clientes  (Imagem: Epitacio Pessoa/Estadão)

Erros. A falta de um objetivo bem definido para enfrentar os momentos decisivos são alguns dos principais erros cometidos nas apresentações, na opinião do sócio-diretor da Soap – State Of the Art Presentations, Rogerio Chequer. “Ter um objetivo claro ajuda a estabelecer a prioridade para chegar ao que se quer. E esse é o primeiro ponto. O segundo é focar no interlocutor. Montar um discurso que esteja voltado aos interesses do outro vai dar a você mais chances de sucesso”, garante.

A insegurança, evidente em alguns comportamentos, também podem comprometer as apresentações, segundo Chequer. Estaria entre as atitudes evitáveis o excesso de movimentação do corpo durante os eventos, como gesticular, andar ou balançar a pernas demais no decorrer dos discursos. “Essas mensagens que passamos sem querer mostram ansiedade e distraem a audiência.”

Preencher os vazios com palavras vazias como “né” ou repetir frases enquanto se pensa na próxima sentença também não ajudam a segurar a atenção dos interlocutores, segundo ele. “Não manter alguma conexão visual com a audiência, não olhar para uma pessoa de cada vez, é outro erro comum.”

Mario Miskolczi, docente do curso “Como Falar em Público”, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), recomenda que os apresentadores conheçam bem seus temas antes de se aventurarem a expô-los. “Se a pessoa tiver um domínio prévio do que vai dizer, vai se sentir bem mais confiante.” Treinar os discursos em voz alta também ajudaria a organizar verbalmente o fluxo dos pensamentos, evitando gaguejadas.

Os materiais de apoio são outros pontos que merecem atenção, na opinião dos especialistas. Os recursos visuais não podem substituir a fala do palestrante, apenas devem complementá-la. “Algumas pessoas, no medo, colocam informações demais nos slides. Se tudo estiver escrito, para que as pessoas vão precisar ouvir o apresentador?”, diz Chequer.

Joyce, da La Gracia, também pede moderação em nome da objetividade. “Se o que pode ser colocado em dez slides, estiver em 150, o presidente da empresa vai dizer: ‘Será que não dá para passar para o último?’ Quanto mais alto for o cargo do público, mais diretamente você tem de passar a informação”, diz.

Fonte: Estadão.com

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