Para o navegador Amyr Klink, é preciso focar e ter persistência na hora de fazer um planejamento.

“O perfeccionismo às vezes é perigoso. Tenho amigos que estão há anos preparando um barco para fazer a volta ao mundo. Eles nunca vão fazer”, afirma Amyr Klink, o primeiro navegador a cruzar o oceano Atlântico Sul sozinho, em um pequeno barco a remo, indo do porto de Lüderitz, na Namíbia, até Salvador (BA) – ninguém mais repetiu o feito desde então.

O trecho, de sete mil quilômetros, foi percorrido em 101 dias, e a viagem deu origem ao bestseller “Cem dias entre céu e mar”, escrito pelo próprio navegador.

Em entrevista concedida ao “Na Prática”, portal de carreira da Fundação Estudar, Klink fala sobre empreendedorismo e execução de projetos. Ele relata que chega um momento em que é preciso parar de planejar para “fazer acontecer, executar”.

“Metade do que estava escrito no meu projeto não aconteceu. Ainda bem! E por que ele foi importante? Porque era uma referência. Mas não foi suficiente, não garantiria a viagem.”

O livro do navegador e empreendedor foi reeditado diversas vezes, com cerca de dois milhões de cópias vendidas. “Quando surgiu a ideia da travessia, eu fiquei encantado com a extensão do desafio e com o fato de que os grandes problemas eram os pequenos detalhes”, ele conta. Durante o trajeto, trabalhava até dezesseis horas por dia.

Economista formado pela Universidade de São Paulo e pós-graduado em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Amyr Klink realizou a viagem aos 29, depois de ter trilhado carreira no mercado financeiro, em uma época que o Brasil tinha uma taxa de inflação colossal.

Depois de cruzar o Atlântico, decidiu que era hora de conhecer o então pouco conhecido continente antártico. Participou de uma expedição brasileira em equipe até se sentir pronto para empreender a sua própria expedição, em solitário. Em 1989, passou um ciclo inteiro (de verão a verão) a bordo de um pequeno veleiro na Antártica. De lá seguiu para o Ártico, cruzando os dois círculos polares numa mesma viagem.

Acostumado a passar longos períodos de tempo sozinho, completou os 43 mil quilômetros do trajeto em 642 dias, e escreveu outro livro baseado nessa experiência. Hoje, aos 59, tem cinco bestsellers publicados e já soma mais de 40 expedições à Antártida e 300 mil quilômetros navegados em alto-mar.

Amyr Klink está envolvido em todas as etapas de suas expedições. É ele que planeja e constrói os barcos. “Gosto é de viajar com os equipamentos que nós pensamos, criamos e testamos”, explica. As embarcações que projeta são admiradas por suas inovações, soluções técnicas criativas e inusitadas.

Para ele, que realiza muitas viagens sem patrocínio, inovar é buscar resolver um problema a um custo coerente. Sem formação em engenharia, sempre dedicou grande parte de seu tempo estudando técnicas, formas, matemática e buscando quem pudesse ajudá-lo no processo.

Além de navegador e escritor, também é palestrante disputado em eventos sobre liderança e motivação (fluente em quatro idiomas, já realizou mais de 2.500 palestras em treze países) e empreendedor na área náutica a frente de mais de um negócio. É sócio de duas empresas voltadas para o planejamento, pesquisa e desenvolvimento de projetos especiais, tem sua própria marina em Paraty (RJ) e é co-fundador do Museu Nacional do Mar e da revista Horizonte Geográfico.

Fonte: IG

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