Uma pesquisa da consultoria de recrutamento Robert Half aponta que 50% dos profissionais brasileiros já assumiram a culpa por erros de colegas no trabalho.

De acordo com o levantamento, divulgado com exclusividade à Folha, o índice de profissionais que afirmam ter feito isso sobe para 70% entre os funcionários no Reino Unido e chega a 73% entre os alemães, onde foi registrado o maior índice. A Bélgica ficou em último lugar: 42% dos ouvidos disseram já ter feito isso.

Isso demonstra, na opinião de Daniela Ribeiro, gerente sênior da divisão de engenharia e vendas e marketing da Robert Half, que a cultura de trabalho é mais emocional no Brasil. “Os funcionários são bem focados em relacionamento, gostam de fazer favores e não querem dizer ‘não’. Mas se algo ruim acontece, não querem tomar bronca”.

Ribeiro afirma que, muitas vezes, os profissionais se preocupam mais em encontrar culpados, em vez de resolver o problema. “A comunicação costuma ser mais pragmática em empresas estrangeiras. É direcionada à tarefa e não à pessoa”, explica.

Quando questionados sobre os motivos que os levaram a assumir a culpa por erros de outras pessoas, 38% dos brasileiros que participaram da pesquisa apontaram que a infração era pequena e que não valia discussão.

Outros 30% disseram se sentir indiretamente responsáveis pelo problema ocorrido. De acordo com a interpretação de Ribeiro, as respostas revelam duas maneiras diferentes de minimizar a falha: alegar que o erro foi pequeno e dizer que não era diretamente responsável.

O Chile, único outro país da América Latina que consta no levantamento, apresentou números semelhantes aos do Brasil: 56% dos trabalhadores assumiram culpa pelo que julgavam ser um erro alheio. Destes, 52% disseram que a infração era pequena e 32% se sentiram indiretamente responsáveis.

A pesquisa da Robert Half foi realizada com 1.775 diretores de RH de 19 países, sendo cem brasileiros.

Fonte: Folha.com

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