Uma pesquisa realizada na região de Campinas (SP) revela que 48% dos funcionários não estão satisfeitos com suas férias e outros 20% deles tiraram férias há mais de dois anos. Os dados preocupam o autor da pesquisa e especialista em Carreira, Competências e Gestão da Inovação, Marcelo Veras. Segundo ele, a pesquisa é um indicador de que a crise econômica não causa apenas demissões, mas afeta a qualidade de vida e o psicológico dos que conseguem manter o emprego.

“O levantamento revela que 20% dos entrevistados está ilegal. A lei exige que o funcionário tire férias uma vez ao ano, mas a crise acaba aumentando a pressão interna das pessoas e elas adiam as férias. Oito mil pessoas pessoas perdem o emprego por dia no Brasil e a questão das férias é um dilema, parece um pecado tirar férias”, analisa Veras.

Segundo o especialista, os funcionários que ocupam cargos gerenciais sofrem uma pressão psicológica ainda maior na hora de decidir sobre as férias.

“Dependendo do cargo o mundo acaba em 30 dias, dependendo da área, 30 dias é uma eternidade. É cada vez mais complicado sair da empresa por 30 dias seguidos. Hoje, quando essa pessoa retorna das férias, a empresa está completamente diferente”, lamenta.

É o que acontece com E.B, de 38 anos, que trabalha como gerente de uma multinacional que prefere não ser identificado. Sem férias há 18 meses, ele teme perder o emprego na volta das férias.

“Eu preciso descansar, sei disso, mas tenho dois filhos pequenos e não posso abrir mão do emprego. Não sei o que pode acontecer enquanto tiver de férias. Os tempos são outros e a chance de efetivarem algum substituto ganhando menos é cada vez maior”, lamenta.

Viagem
Dos 250 entrevistados, 51% trabalham em empresas privadas, 17% são empresários, 21% são profissionais liberais e os outros 11% possuem outras ocupações. O estudo revelou ainda que 84% dos entrevistados pretende viajar nas próximas férias, enquanto 9% pretende ficar em casa.

Na avaliação de Veras, o número revela uma necessidade de fuga, de se desligar totalmente do ambiente de trabalho. Ele lembra que, nestas horas, é preciso se libertar de padrões e esterótipos e fazer apenas o que dá prazer.

“Nosso corpo e mente precisam de pausas e, nessas pausas, é necessário fazer o que gostamos, o que nos faz bem. Muita gente opta por viajar até mesmo para ficar longe do trabalho porque sabe que, se estiver por perto, pode ser chamado em alguma emergência”, ressalta.

Para ajudar aqueles que sofrem com a pressão na hora de aproveitar as merecidas férias, Veras listou seis dicas que podem ajudar os profissionais a renovar as energias e voltar ao trabalho com mais disposição e preparo para encarar os desafios.

Confira as dicas do especialista para conseguir curtir as férias:

Faça o que realmente você gosta: é importante fazer algo para descansar mentalmente e fisicamente, sem se prender aos padrões e regras sociais. Se estar em casa, lendo, dormindo até tarde, reformando sua casa ou seus móveis te faz feliz, faça.

Planeje o período com antecedência: é importante minimizar o risco da empresa pedir para adiar as férias de última hora. Aproveite os momentos em que há menos demanda por você, no seu departamento ou na própria empresa.

Aproveite as férias para se atualizar: Melhorar o repertório é importante. Inclua a leitura de um romance, assista um filme, uma série, faça algo que amplie sua fronteira de conhecimento. Dedique um tempo das suas férias para isso.

Promova seu networking: Encontre informalmente com pares do mercado, colegas e amigos que estão em outras empresas. Aquele almoço que você nunca consegue marcar, dedique um tempo a ele nas férias.

Faça um raios X da sua saúde física: Seu desempenho no trabalho depende da sua saúde. Aproveite esse período tranquilo para praticar esporte com frequência, para voltar ao trabalho com disposição. Faça uma avaliação física, cuide do corpo e estabeleça metas nesse sentido.

Planeje os seus gastos: Não se esqueça que o salário do período de férias é adiantado. Cuidado para não extrapolar os gastos para não levar um susto quando retornar.

Fonte: G1

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