O Brasil pode perder até 2,2 milhões de vagas com carteira assinada neste ano que começa e o emprego só deve começar a reagir em 2018, na opinião de especialistas em mercado de trabalho.

Sem a retomada da economia com a inflacao corroendo o poder de compra das famílias e as empresas se reestruturando, o desemprego mais concentrado em 2015 no setor industrial e na construção civil – deve agora atingir com intensidade o setor de serviços e de comércio

O trabalhador com carteira assinada , deve ser o mais afetado, segundo analista, que já veem espaços para o avanço da informalidade nas contratações. Os mais otimistas preveem mais de 800 mil vagas eliminadas.

Na análise dos pessimistas – os que acreditam que o pib vai encolher 3% – o Brasil vai perder de 2 milhões a 2,2 milhões com registro em carteira.

EFEITO RETARDADO

“O mercado de trabalho sente os efeitos da fraca atividade com defasagem de até um ano. Os problemas de 2015 terão desdobramentos mais adiante” diz Fábio Romão, da LCA Consultores.

Os dados mais recentes revelam que de janeiro a novembro de 2015, foram destruidos 954 mil vagas formais – revertendo a tendencia da alta verificada de 2002 a 2014.

A indústria concentrou 44% da perda, seguida pela construção civil. Comércio e serviços juntos responderam 30% das vagas fechadas.  “Daqui pra frente, o enfraquecimento será onde ainda há gordura para cortar: no comércio e no setor de serviços. A industria brasileira já regrediu 8 anos, voltou ao mesmo nível da crise em 2008 – pode ainda haver perdas no setor industrial? Pode, mas não com a mesma magnitude já vista” diz Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO associados.

Serviços ligados ao consumo das famílias (alimentação, educação, lazer e turismo) e os prestados as empresas (transporte, logística e armazenagem) devem ser os mais afetados. O mesmo vale para o comercio que depende diretamente do bolso do consumidor.

Para o diretor da GO, a taxa de desemprego na média anual sobe para 10% em 2016, se considerada a pesquisa mensal de emprego (PME) do IBGE: “São três pontos percentuais acima da taxa média de 2015 (7,1%). Em 2017, o desemprego começa a ceder, mas pouco. A previsão é a taxa média ficar no patamar de 9%,” diz Silveira.

O ritmo de fechamento de posto de trabalho este ano deve ser semelhante ao de 2015 diz Fabio Romão,. Em 2016 o brasiul pode perder 1,46 milhão de vagas, sendo que a maior parte será fechada no primeiro trimestre”

MAIS PROCURA

O desemprego vai continuar subindo em 2016 e 2017, diz Romão, mesmo considerando retrações do PIB menores do que a prevista em 2015 (-3,6%). “Deve haver geração de empregos em 2017. Mas, como será um ano de saída da crise, a busca por emprego vai pressionar o mercado de trabalho. A ocupação cresce em ritmo menor que a população economicamente ativa”, afirma.

Levando em conta o desemprego medido pela Pnad contínua (indicador do IBGE que substitui a pesquisa anterior, realizada nas principais regiões metropolitanas do país) a taxa passa de 8,7% na média de 2015 para 13,5% , segundo o LCA. Na medida antiga (PME) , iria de 6, % para 9,5%.

SCORES

74,5% foi a taxa de desemprego em novembro nas regiões metropolitanas, segundo a PME.

R$2.177,20 – foi o rendimento real em novembro, com queda de 8,8% ante o mesmo mês do ano anterior.

ENTENDA A DIFERENÇA

PME – (Pesquisa Mensal de Emprego) é calculado pelo IBGE considerando os dados de seis regiões metropolitanas do país.

PNAD Contínua

(Pesquisa Mensal de Amostras por Domicílio Contínua) é calculada pelo IBGE e tem abrangência nacional. Considera informações de 3500 municípios do país.

Via Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1724881-brasil-pode-perder-ate-22-milhoes-de-vagas-formais-de-emprego-em-2016.shtml?cmpid=newsfolha

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