Entenda o que é e siga três passos básicos para começar a adotar esse princípio em sua vida.

De tempos em tempos, um novo conceito invade o mundo corporativo e rapidamente entra na moda. Lembre-se de balance scorecard, downsizing, reengenharia, sustentabilidade, responsabilidade social, estratégia digital, ominichannel… Quem não os adota parece estar fora de sintonia, alheio às ferramentas, termos e tendências que poderão fazer a diferença para o negócio. O mais recente representante dessa leva tem um nome estranho, Mindfulness, e vem ganhando força dentro das corporações. Nem tente arriscar uma tradução literal. Depois de ler vários significados para o termo, escolhi um que acredito ser o mais próximo de sua real funcionalidade: “é atenção plena no momento presente, sem se apegar aos pensamentos”. Em outras palavras, esvaziar a mente para aumentar o foco no assunto que interessa naquele instante. Segundo os especialistas em Mindfulness – e surgiram muitos nos últimos tempos – o conceito ajuda a aumentar a performance de executivos.

E não só deles. A prática invadiu diversas atividades: o mindfulness pode ser exercitado quando você está cozinhando, viajando, praticando esportes, dieta… Até um livro de colorir mindfulness foi lançado. É o segundo colocado na lista de best sellers de não ficção da rede de livrarias  Foyle’s – uma das maiores e mais completas de Londres. Na pequena The Notting Hill bookshop (que ficou mundialmente famosa por ter servido de cenário para o filme Um Lugar Chamado Notting Hill, com Julia Roberts e Hugh Grant), uma espécie de guia de Mindfulness (foto) destaque-se na bancada dos mais vendidos.  Na internet, a febre se alastra. Uma pesquisa na Amazon destaca mais de 500 opções de livros sobre o assunto. E páginas e páginas no Google comprovam como esse conceito tem sido debatido, ensinado, compartilhado e valorizado por tanta gente.

Quem me apresentou o conceito foi Cristina Walker, consultora e também conselheira da fundação do mestre Zen budista Thich Nhat Hanh, um dos papas de mindfulness e que já foi até indicado para o prêmio Nobel da Paz.  Estávamos fazendo um curso de coaching juntos na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, quando o assunto meditação e capacidade de se auto liderar veio à tona. Cristina me mostrou os benefícios da prática e me indicou o aplicativo Mindfulness Bell da Apple Store para auxiliar no “treinamento”. Ajudou um bocado.

Se você quer aumentar seu auto-controle, foco, paciência, bom humor, concentração – e ainda dormir melhor – talvez um dos exercícios abaixo ajudem.

  • Na fila. Existe coisa mais chata que pegar fila? Ao invés de checar pela enésima vez seus e-mails ou redes sociais, procure se conectar ao momento presente seguindo três passos. 1) Perceba o peso dos seus pés no chão. Como está seu corpo? Tenso, relaxado, agitado. E a sua mente, pensando em quê? Procure somente registrar o que está acontecendo sem julgamento. 2) Perceba sua respiração, o efeito do ar entrando e saindo dos pulmões. Que regiões são estimuladas? Nariz, boca, abdome. Comece respirando fundo e depois deixe o fluxo da respiração seguir seu ritmo natural. Coloque uma mão na barriga para sentir o ritmo e aumentar sua consciência da respiração. 3) Expanda sua consciência: migre do foco específico da respiração para o ambiente ao seu redor. Que cores, cheiros, texturas e vozes o ambiente oferece? Fazendo isso você vai aumentando sua consciência do momento presente. Quem sabe a sua vez de ser atendido não chega mais rápido…
  • Antes das reuniões. Coloque um alarme no seu relógio ou smartphone para tocar 10 minutos antes do início da reunião. Concentre-se na sua respiração, registrando o fluxo e depois perceba seus sentimentos para essa reunião. Tensão? Medo? Conflito? Excitação? Volte a atenção para a respiração e deixe ela fluir naturalmente. Respire, então, profundamente, e deixe o ar “levar” seus pensamentos. E entre na sala.
  • Antes do almoço ou happy hour da empresa. Chegue mais cedo e peça uma bebida de sua preferência. Procure degustar em pequenos goles. Comece notando a cor, a textura, o cheiro e perceba a complexidade do sabor, “passeando” o líquido por sua boca. Que sensações vêm à mente? Repare se elas vão mudando. Finalize com uma respiração profunda e aprecie o ambiente ao seu redor. Esse processo pode ajudá-lo sobretudo com o humor.

Segundo Ethan Nichtern, professor de budismo, as técnicas de mindfulness servem para que reconheçamos o espaço entre um impulso e nossa reação. Quanto mais praticamos, mais temos consciência desse espaço e assim aumentaremos opções para escolher o caminho mais positivo de nossas ações naquele momento.

Independentemente da convicção religiosa ou filosófica, fazer esse exercício vale a pena. Eu ainda não consigo, na maioria das vezes, bloquear meu impulso diante de um estímulo externo. Acabo partindo para a ação imediata – e sempre me sinto frustrado por não ter segurado o ímpeto. Mas nas raras vezes em que percebo a consciência desse espaço e decido por um caminho mais construtivo, me sinto genuinamente feliz! Afinal, não é todo dia que a gente consegue vencer a si mesmo.

Por Sergio Chaia * / Fonte: Época Negócios

* Sergio Chaia foi presidente da Nextel, Sodexho Pass e vice- presidente para a América Latina da Symantec. Participa de diversos conselhos e atualmente é chairman da Óticas Carol. Também é palestrante e autor do livro Será que é possível?

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