Descubra por que algumas pessoas nunca se encontram no trabalho.

Afinal, o que você quer para você? Esta foi a pergunta que fiz para um empresário bem-sucedido num almoço de trabalho que tivemos a oportunidade de desfrutar juntos em São Paulo. Ele tinha dinheiro o suficiente, dizia que era muito feliz com a esposa, era reconhecido pelo seu trabalho, e ainda poderia ser considerado uma pessoa de sucesso. Então questionei se ele queria fama, sucesso, reconhecimento, dinheiro, poder ou felicidade.

Para minha surpresa, ele me respondeu: “eu quero fama. Sonho em ser alguém famoso”. Confesso que fiquei um pouco desconcertada com a resposta, porque eu não sabia até onde ele realmente queria aquilo tudo, ou até onde a fama era a única coisa que ele ainda não tinha alcançado na vida. Sim, muitas pessoas passam uma vida inteira procurando apenas o que elas não têm, e olham demais para o lado de fora, esquecendo de alimentar o lado de dentro, esquecendo de olhar para o seu corpo, para a sua alma, para o seu coração.

Rebecca sentou-se ao meu lado num longo vôo em que fizemos de São Paulo para Recife. Eu estava na janela, ela no corredor. E entre nós, ninguém. Aproveitei o espaço livre para colocar meus materiais, e acabamos dividindo a poltrona vazia. Eu estava na fase inicial do meu segundo livro (Leve o Coração para o Trabalho) e tinha levado comigo alguns impressos e algo que eu já havia escrito sobre o amor pelo trabalho. Eu tinha percebido que ela não tirava o olho dos meus impressos, mas achei que pudesse ser por qualquer outro motivo, menos pelo motivo em si.

Só me dei conta disso, quando voltei do banheiro e pedi licença para Rebecca para voltar ao meu lugar. Ela me olhou e perguntou: “Você gosta do que faz?”. Aquela pergunta me pareceu estranha, naquele momento. Eu quase dei risada, mas preferi responder olhando nos olhos dela: “Sim eu amo o que eu faço, mas por quê?”.

Ela respondeu: “Porque eu estava olhando esse seu material, e ele chamou muito a minha atenção, desde que você entrou no avião”.

Então, não me contive e perguntei: “Você ama o que faz, Rebecca?”

E ela me olhou, com os cheios de lágrimas e disse: “Não”.

Ela me contou que era promotora de vendas de um laboratório farmacêutico, mas que o seu sonho da vida toda era a medicina. Então questionei: “E por que não tentar a medicina, Rebecca?”

Ela respondeu: “Eu ganho bem neste laboratório, e já estou com 27 anos. Acredito que seria tarde para começar uma carreira. O dinheiro que eu ganho me permite hoje ter tudo o que eu preciso e quero. Eu viajo, eu compro, eu me visto, eu tenho a minha independência. Se eu largasse tudo pela medicina, teria de começar do zero”.

“E você não está disposta?”, perguntei.

“Não”, ela respondeu.

Rebecca, para mim, é um típico exemplo de alguém que abandonou seu sonho sem tentar ser feliz. Alguém que tem o medo maior do que a vontade. O comodismo maior do que o amor. Infelizmente, Rebecca é um retrato dos profissionais que temos no mercado. Eles preferem morrer de frustração a descobrir que são seres humanos que podem errar, lutar e alcançar o sucesso de uma maneira plena. Para ela, sucesso é chegar onde chegou. Por medo do fracasso, muitas vezes deixamos o sucesso de lado.

Tom Peters, autor consagrado de livros de negócios, compreende perfeitamente o poder do fracasso quando aconselha todos nós a sermos “fanáticos por fracassos”. Ele defende que quanto mais fracassos, maior será o sucesso”, e cita como exemplo Thomas Edison, que voltou dez mil vezes para a prancheta antes de conseguir criar a lâmpada elétrica e Abraham Lincoln, que perdeu nove eleições, mas ganhou três, sendo que uma delas o levou à presidência dos Estados Unidos. São os chamados “fracassos bem sucedidos”. Peters afirma: “mostre-me um empresário bem-sucedido e eu lhe mostrarei um fracasso”.

Já falamos anteriormente sobre a questão do quanto somos cobrados pelo mundo para termos sucesso, para sermos bem-sucedidos. Mas, e o quanto nos cobramos para fazer as coisas que satisfazem a nossa alma? Geralmente vamos deixando para trás, empurrando com a barriga ou esperamos que alguém decida por nós sobre o nosso próprio futuro. Isso se chama autoboicote, sabia? E, digo mais, você não imagina a quantidade de pessoas que o fazem todos os dias. E sabe qual o principal motivo de tudo isso acontecer? O medo. Isso mesmo, medo do sucesso. Medo de não conseguir, de desapontar as pessoas que amamos, de frustrar expectativas, de descobrirmos que somos limitados, que erramos e que muitas vezes precisamos de uma segunda chance. A minha pergunta é: como o universo nos dará uma segunda chance, se você não é capaz de se dar a primeira?

Por Alessandra Assad* / Fonte: Administradores.com

Alessandra Assad é formada em jornalismo, com pós-graduação em Comunicação Audiovisual e MBA em Direção Estratégica. De 2003 a 2009, atuou como diretora de Redação da revista VendaMais, a maior revista de vendas do Brasil e desde 2006 é sócia idealizadora da ASSIM ASSAD – Desenvolvimento Humano. É autora dos livros Atreva-se a Mudar! – Como praticar a melhor gestão de pessoas e processos (Thomas Nelson), Leve o Coração para o Trabalho (Qualitymark) e A Arte da Guerra para Gestão de Equipes (apenas para Comunidade Europeia). Em 2014, teve seus três livros publicados na Europa pela Editora TopBooks Internacional.

 

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