“O presidente dos EUA tem cem dias para se provar, você tem 90”. É assim que Michael D. Watkins introduz seu livro “Os Primeiros 90 Dias” (editado nos EUA pela Harvard Business Review Press), em que fala sobre o caminho a ser seguido por um profissional quando começa em um novo trabalho.

Depois de fazer um levantamento com 300 líderes de RH, Watkins afirma que quase três em cada quatro concordam que o desempenho nos primeiros meses é um forte indicativo se a pessoa terá sucesso ou fracasso no emprego.

Ele também afirma que o objetivo deve ser alcançar o mais rápido possível o ponto de empate, chamado de “break-even”, em que o profissional conseguiu tanto resultado para a nova empresa quanto consumiu recursos dela.

Watkins afirma que a melhor estimativa média dada por 200 executivos americanos é de que esse ponto é alcançado em 6,2 meses, no caso de líderes em cargos médios. Mas ele mesmo lembra que esse tempo pode variar bastante, dependendo das condições, cargos e tipos de empresa.

Mas o que o profissional pode fazer para ajudar nesse período de adaptação? O UOL reuniu dicas do livro e de especialistas em carreiras para ajudar.

Conheça o negócio

Para a consultora de RH e coach de carreiras Sueli Volpiano, o primeiro passo é conhecer bem o negócio e entender os processos da área em que vai atuar.

Isso inclui compreender missão, visão e valores da empresa. “É importante que a missão da companhia esteja de acordo com a sua pessoal. Isso gera motivação”, afirma. “Como nem toda empresa tem um processo de integração, se isso não foi oferecido, é bom que vá atrás”.

Escute mais, fale menos

“É fundamental que o novo empregado entenda a cultura da empresa. O jeitão de ser, o DNA”, afirma Marcelo de Freitas Nóbrega, especialista em coaching de executivos e autor do livro “Você Está Contratado!” (Editora Évora), em que fala sobre a conquista do emprego desejado.

Ele diz que é importante procurar profissionais da empresa que sejam referências. “No início, é escutar muito mais do que falar. É buscar pessoas que são reconhecidas por serem autoridades técnicas, bons gestores ou líderes e conversar, aconselhar-se, perguntar o que deve fazer para ser bem-sucedido”.

Tenha mente aberta

Ao chegar, faça de tudo para compreender e conhecer os colegas e eventuais subordinados. “Tenha mente aberta para ouvir a equipe e conhecer o mundo de cada um, o que gostam, como se relacionam, o nível de intimidade que têm entre si, tipos de assunto que preferem”, afirma Sueli Volpiano.

Para ela, pode parecer tarefa fácil, mas não é. “Exercitar a neutralidade é aceitar que o outro pode ser diferente e entender que nessa diferença é que está a beleza da equipe. Com certeza, assim terá menos problemas de conflitos”.

Isso também inclui ser flexível. “Quando aparece um obstáculo, por exemplo, defender uma ideia para provar que tem razão não é um bom caminho. É fundamental a flexibilidade no começo para entender o contexto e se ajustar a ele”, diz a consultora.

Procure as “vitórias rápidas”

Em seu livro, Watkins afirma que, nas primeiras semanas, é preciso identificar oportunidades para construir sua credibilidade.

Para chamar atenção do chefe, Nóbrega aconselha a identificar as “vitórias rápidas”, ou seja, iniciativas, ações ou projetos mais simples, que podem ser feitos nesses primeiros meses e já gerar bons resultados. “É claro que não será nada de envergadura. Mas mostra sua habilidade e capacidade”, afirma.

Cuidado para não atrapalhar

Marcelo de Freitas Nóbrega alerta para a vontade de querer fazer demais e acabar sendo intransigente. “Você não foi contratado para mudar o mundo. A empresa existiu antes e vai continuar existindo sem você. Traga coisas que vão ajudar a ganhar, mas não questione práticas existentes ou diga que onde trabalhava era melhor, por exemplo”.

Para Watkins, se esforçar demais e muito cedo para deixar sua marca pode atrapalhar o processo de aprendizagem, levando a decisões erradas e gerando resistência às suas iniciativas.

Por Ricardo Marchesan / Fonte: UOL

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