A média anual do desemprego ficou em 6,8%, segundo Pnad Contínua. Taxas foram menores que as registradas em períodos anteriores.

Por Anay Cury e Cristiane Cardoso

A taxa de desemprego ficou em 6,5% no quarto trimestre do ano passado, segundo dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2014, a taxa média ficou em 6,8%.

O dado faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que substituirá a tradicional Pnad anual e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). O IBGE estima que a PNAD Contínua completa seja divulgada no dia 7 de maio.

O novo indicador mostra um desemprego maior que o calculado pela PME, que terminou o ano em 4,8%.

Em relação ao terceiro trimestre, quando o desemprego ficou em 6,8%, a taxa do quarto trimestre diminuiu. No entanto, frente ao mesmo período de 2013, houve aumento. Naquele trimestre, o índice havia atingido 6,2%.

Na média de 2014, a taxa também foi menor que as registradas em 2013 e 2012, quando o índice chegou a 7,1% e 7,4%, respectivamente.

“A cada trimestre, a PNAD Contínua investiga 211.344 domicílios em aproximadamente 16 mil setores censitários, distribuídos em cerca de 3.500 municípios”, informou Cimar Azeredo, Coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

No quarto trimestre, a população desocupada somou 6,5 milhões de pessoas, abaixo das 6,7 milhões verificadas nos três meses anteriores.

Cimar explicou que na comparação do quarto trimestre de 2014 com o mesmo trimestre do ano anterior, “a gente teve aumento na população ocupada de 993 mil pessoas, mas quando se olha a população desocupada, o aumento foi de 400 mil de contigente de pessoas que estavam procurando trabalho. Só que esse aumento da população ocupada não foi suficiente para derrubar a taxa, para absorver essa demanda. Aumenta a população ocupada, mas ela não é o suficiente”.

Segundo a pesquisa, 77,7% dos empregados do setor privado tinham carteira de trabalho assinada.

“Na comparação com o 3º trimestre de 2014, houve queda de 147 mil pessoas trabalhando com carteira de trabalho assinada. No entanto, em relação ao ano anterior, há um saldo de 455 mil”, afirmou Cimar Azeredo.

Entre os trabalhadores domésticos, 32,1% tinham carteira de trabalho assinada no 4º trimestre de 2014, acima dos 31,1% registrados no mesmo trimestre do ano passado. Os militares e servidores estatutários correspondiam a 68,2% dos empregados do setor público.

“A gente vê que não tem diferença nenhuma praticamente de um ano para o outro. Até porque essa não é uma configuração que muda, a não ser que você tenha um momento de crise forte no mercado, que provoque mudanças de um ano para o outro.”

Homens, mulheres e jovens

De acordo com o IBGE, há uma grande diferença na desocupação entre gêneros. Nos últimos quatro meses de 2014, a taxa foi estimada em 5,6% para os homens e 7,7% para as mulheres.

A taxa de desocupação dos jovens de 18 a 24 anos de idade ficou acima da média, em 14,1%. Nos grupos de 25 a 39, o índice ficou em 6,3% e de 40 a 59 anos de idade, em 3,3%.

Para quem tem ensino médio incompleto, o desemprego atingiu 11,6%. Para o grupo de pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi de 6,8% – o dobro da verificada para aqueles com nível superior completo (3,4%).

Sem patrão

No 4º trimestre de 2014, a população ocupada era composta por 69,5% de empregados, 4,2% de empregadores, 23,4% de trabalhadores por conta própria e 2,8% de trabalhadores familiares auxiliares.

“O conta própria – o fato de ele estar aumentando – não necessariamente mostra deteriorização do mercado de trabalho. Precisa de outra variável, que é a variável do rendimetno, que a gente não tem [na análise atual da PNAD Contínua]. Tem de avaliar o rendimento.(…) a perda de emprego com carteira assinada, você tem claramente queda na qualidade do emprego, tem uma série de benefícios [como FGTS, seguro-desemprego] que um empregado tem que o outro não tem”, disse Azeredo.

Nas regiões Norte (29,9%) e Nordeste (29,7%), o percentual de trabalhadores por conta própria era superior ao observado nas outras regiões. Na região Norte ficou em 6,7% e na Nordeste, em 4,1%.

“O Nordeste e o Norte, além de ter população mais jovem, tem uma população menos escolarizada. Não é porque tem população mais nova que você tem escolaridade inferior, não é isso. É questão de desenvolvimento da região”, analisou Cimar Azeredo.

De acordo com o IBGE, 72,8% dos empregados estavam no setor privado, 18%, no setor público e os demais, no serviço doméstico (9,3%).

Nem ocupadas nem desocupadas

No 4º trimestre, 39,1% das pessoas em idade de trabalhar foram classificadas como fora da força de trabalho, ou seja, aquelas que não estavam ocupadas nem desocupadas.

A região Nordeste foi a que apresentou a maior parcela de pessoas fora da força de trabalho (43,1%), seguida por Centro-Oeste (35,0%) e Sul (36,4%).

Cimar Azeredo analisou que “44% da população ocupada no Sul e no Sudeste é formado por mulheres”. De acordo com ele, há uma presença maior de homens no mercado de trabalho na região Norte por “consequência da própria região. É uma região que tem proporção maior de homens. No Norte, você tem menos mulheres”, disse.

Essa população fora da força de trabalho era composta por mulheres (66,2%). Além disso, cerca de 35% da população fora da força de trabalho era composta por pessoas com 60 anos ou mais de idade.

Aqueles com menos de 25 anos chegavam a 29,2% e os adultos, com idade de 25 a 59 anos, representavam 36,3%.

Nível de ocupação

O nível da ocupação foi estimado em 56,9% nos últimos quatro meses do ano. Não houve variação significativa em relação ao trimestre anterior, quando era 56,8%. As regiões que apresentaram os maiores percentuais de pessoas trabalhando entre aquelas em idade de trabalhar foram a Centro-Oeste (61,5%) e a Sul (61,2%). No Nordeste, o nível da ocupação chegou a 52,2%.

Informações sobre setores

O especialista do IBGE explicou que como a PNAD Contínua ainda não apresenta dados por atividade de grupamento, a pesquisa não conseguiu mostrar qual o setor ou setores influenciaram a taxa de desocupação no quarto trimestre de 2014.

“Em algum grupamento, ele pode não ter mostrado, ou na maioria dos grupamentos, o desempenho não foi tão favorável, mas afirmar se foi no comércio, na indústria, nos serviços, sem ter essa análise de grupamento de atividade, não é possivel”.

Fonte: G1 

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