A crise econômica internacional associada a problemas específicos em alguns países, como o terremoto seguido por tsunami no Japão, em 2011, e a recente tragédia em Boston, nos Estados Unidos, provoca o retorno de brasileiros que estavam no exterior para o País. De acordo com Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, meio milhão de pessoas desembarcaram de volta ao Brasil nos últimos cinco anos. A estimativa é que cerca de 2,5 milhões ainda vivem fora do País, a maioria nos Estados Unidos, Paraguai, Japão e Europa.

Segundo a professora de macroeconomia da ESPM de São Paulo Cristina Helena Pinto de Mello, a mudança de comportamento, principalmente de quem estava nos Estados Unidos, é efeito da crise de 2008. “Acho que o medo de permanecer nos Estados Unidos talvez possa fazer com que alguns brasileiros voltem. O fator mais significativo está associado com a possibilidade de geração de renda e emprego”, explica. Porém, ela alerta que voltar ao Brasil pode não ser uma boa opção. “A economia americana tem enfrentado dificuldade na recuperação, mas a brasileira está indo a passos largos rumo à desaceleração”, afirma.

Para Cristina, em um futuro bem próximo, é provável que haja aumento na taxa de desemprego no Brasil e uma melhora nas relações de emprego no país americano. “A taxa de desemprego lá já deu sinal de recuperação, enquanto a nossa está apresentando sinais significativos de esgotamento no crescimento. Comparando as duas economias, a vantagem de retornar ao Brasil está diminuindo”, garante. A professora aconselha a não tomar decisões precipitadas: “Esperaria sinais mais consistentes da nossa economia. Ela está aquecida em função de medidas pontuais do governo, que tendem a se esgotar e não perpetuar o efeito”.

Remessas

Segundo levantamento anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o volume de remessas de imigrantes para suas famílias no Brasil caiu, em 2012, pelo quarto ano consecutivo. Ano passado, quando a economia americana apresentou melhora ante 2011, os  trabalhadores que vivem no exterior e que costumam realizar remessas às suas famílias enviaram ao Brasil US$ 1,989 bilhão.

A maior parte das remessas vindas do exterior são utilizadas para aumentar a renda da família do migrante e para o pagamento de compromissos no Brasil. O dinheiro pode ainda ser destinado a investimentos, como aquisição da casa própria, poupança ou viabilização de um futuro empreendimento. Para o BID, diante do cenário econômico global, a perspectiva é que o fluxo permaneça estável novamente neste ano.

A professora da ESPM explica que os imigrantes nos Estados Unidos são os trabalhadores que mais acumulam recursos nos saldos bancários. “O americano trabalha para se sustentar e para a aposentadoria, pensa pouco a longo prazo. O imigrante, como vai para lá para acumular recursos para voltar ao país de origem, ele faz um esforço maior”, diz. Entretanto, o retorno dos imigrantes brasileiros, apesar de afetar a força de trabalho, teria um impacto “quase inexpressivo” na economia americana.

Na economia brasileira, o reflexo também é pequeno. “Os grandes fluxos de capitais para o Brasil são oriundos de atividades empresariais, não necessariamente vindas de salários de imigrantes”, comenta. Além disso, o baixo volume de remessas é uma tendência mundial pela dificuldade nas economias europeia, japonesa e americana – principais destinos de brasileiros – de se recuperarem. “A renda mundial deixou de crescer e a gente tem sentido isso”, afirma.

Fonte: Terra

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