Transformar as férias em metas a cumprir pode tornar os dias de descanso em fracasso. Para muitos presidentes, diretores e executivos de empresas, ausentar-se do trabalho é sinônimo de deixar de tomar decisões importantes dentro da empresa. Muitos não deixam de checar seus emails durante o período de descanso, trabalham remotamente e não conseguem se desligar das tarefas diárias enquanto estão fora. Outros esticam as viagens de negócios para aproveitar poucos dias que restam do cronograma de reuniões.

Segundo os resultados de pesquisa realizada o ano passado pela Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte (MG), feita com cerca de mil executivos brasileiros, 30% não tiram férias há três anos ou mais porque acreditam que são insubstituíveis e que a empresa pode entrar em colapso se eles estiverem ausentes. Entre aqueles que param para descansar, 50% tiram, em média, apenas dez dias de férias por ano.

A Presidente da Blue Tree Hotels, Chieko Aoki, por exemplo, não tem o hábito de tirar férias, mas aproveita as viagens de negócios para curtir a cidade, fazer compras e conhecer restaurantes, e continuar antenada. “Leio email todos os dias – acredito que seja quase uma mania global, e as chamadas telefônicas são atendidas a qualquer hora do dia e da noite, 365 dias por ano, exceto quando estou em vôo”, explica a executiva. E mesmo assim, acredita que consegue se desligar dos negócios. “A não ser que tenha um problema muito sério para ser resolvido, que não sai da mente, consigo me desligar e dormir bem. Não levo problemas para o meu travesseiro”, diz.

Fabiana Schaeffer, sócia-diretora da Netza, agência de comunicação integrada, que atua com ações de live marketing, tira 20 dias de férias por ano e no período, não se “desconecta” da agência. “Não desligo nunca 100%: em algumas horas do dia acompanho o que está acontecendo no escritório”, diz. Em suas últimas férias, Fabiana foi para a Itália e ainda está planejando o que fará no próximo período de descanso.

Já Carlos Militelli, CEO da EPS Eventos, dependendo dos eventos que tem no portfólio programados para o ano, aproveita as viagens de negócios para esticar o prazo e descansar alguns dias. “A tendência é emendar nas viagens de negócios para um pouco de lazer”, comenta. “Emails são acompanhados e, intervenho somente se necessário, pois férias são essenciais. Mas normalmente, temos que estar “ligados” no processo como um todo”, pondera. Este ano, Militelli ainda viaja ao exterior para prospecção de eventos internacionais que podem acontecer na América Latina. “Emendo uma semana após para descanso. Contudo no começo do ano devo tirar uns dias com a família”.

Outro que não consegue deixar de ver emails e atender telefone é o CEO da Wappa, o carioca Armindo Mota Jr., que sempre em seus 15 dias de férias anuais, tira algumas horas por dia para trabalhar. No ano passado, ele viajou para o sul do país com a família, mas no momento, seu foco é outro. “Estamos empenhados em dobrar o faturamento da companhia, por isso, férias agora, nem pensar”, brinca.

Vinte dias, em média, é o período de férias por ano da sócia-diretora da Communica Brasil, a jornalista Andrea Funk. “Às vezes acrescento alguns dias em alguma viagem a trabalho e o número total de dias aumenta”. A executiva não consegue se desligar totalmente da agência em seus dias livres e as primeiras horas do dia, são sempre para checar emails e respondê-los. “Depois, me forço a desligar. Se houver alguma urgência, a equipe me contata por celular. Mas no geral, eles tentam me poupar ao máximo. Eu que ligo e pergunto se alguém precisa falar comigo”, brinca. Seu plano para as próximas férias é uma viagem aos Estados Unidos, para Tampa e Orlando, onde irá participar da Maratona da Disney, no dia 12 de janeiro de 2014. “Será a minha estreia em maratonas”, conclui.

Fonte: Administradores 

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