Papai Noel profissional há quase 12 anos, Carlos Estigarribia, de 46 anos, casado e pai de seis filhos, diz que neste ano tanto os clientes como o Papai Noel estão insatisfeitos. “Este ano está de chorar.” De um lado, os clientes estão chorando para reduzir o preço do cachê, de outro, o Papai Noel está chorando por causa do desemprego.

Estigarribia, que é professor de física, matemática e também é violinista, faz um espetáculo de entrega de presentes em festas de empresas e de famílias que, segundo ele, é exclusivo. “Sou o único Papai Noel violinista”, diz.

Pelo show com duração de cerca de três horas e que também conta com o trabalho de uma assistentes, no ano passado ele cobrava R$ 1.500. Neste ano, para se adaptar ao bolso reduzido dos clientes, ele esta cobrando R$ 960. “Reduzi o preço em 40%.”

Apesar do corte, a demanda pelo espetáculo continua baixa. Até o fim desta semana, o ator tinha 18 eventos contratados. No ano passado, ele conseguiu fechar 30 espetáculos.
A maior parte dos eventos contratados para este ano é para empresas. “Shopping nem apareceu”, observa.

Estigarribia observa que o desemprego também bateu neste ano nessa atividade extra. Ele conta que faz esse trabalho por motivações pessoais. “Gosto desse momento lúdico dessa fantasia.” No entanto, neste ano a fantasia também foi afetada pela realidade. “O Papai Noel caiu do trenó por falta de trabalho”, compara.

Renda. Essa renda obtida pelo professor de matemática no final de ano normalmente tem destino certo. Um terço do que recebe, Estigarribia destina a orfanatos. Outra parte investe no próprio negócio, comprando materiais para confeccionar as fantasias, as cordas do violino usadas no espetáculo. “As cordas do violino são caras.” A última parte ele usa para si. “Pago uma conta ou outra, que está atrasada.”

Mesmo com a queda no movimento de procura pelos shows e e a retração na receita que está ocorrendo este ano, o ator pretende dar prioridade às doações que faz com a renda desse trabalho. Estigarribia diz que tem compromissos acertados com orfanatos e não vai sacrificar essa parcela por causa da crise.

Por: Márcia De Chiara/ Fonte: Estadão

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