O aprofundamento da crise econômica já está tendo efeitos sobre a distribuição de renda no Brasil, de acordo com um estudo de Rodolfo Hoffmann, professor da Universidade de São Paulo (USP).

Especialista em políticas sociais, Rodolfo usou dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, que começam em 2012 e captam a dinâmica do emprego e da renda do trabalho.

Resultado: no espaço de 2 anos, entre o 1º trimestre de 2014 e o 1º trimestre de 2016, a taxa de desemprego aumentou de 7,1% para 10,9%, a renda média real por pessoa economicamente ativa caiu 7,5% e a renda mediana caiu 16%.

A proporção de pessoas com renda de até R$ 600,00 aumentou de 22,5% para 26,3% e o índice de Gini, que mede a desigualdade, subiu 3,5% interrompendo uma tendência de queda que vinha desde 1995.

Os dados precisam ser olhados com cuidado, já que não excluem aposentadorias e pensões e consideram que um desempregado tem renda nula, ainda que possa ser beneficiado pelo seguro-desemprego, por exemplo.

Medir desigualdade só pelo trabalho tem seus limites, já que os mais pobres contam com outros tipos de renda, como o Bolsa Família, e os mais ricos também tem vários tipos de rendimentos.

Hoffmann nota que de acordo com dados da PNAD anual, a desigualdade da renda domiciar per capita caiu sistematicamente de 2001 a 2014, e a parcela que mais contribuiu para essa queda foi o que o IBGE denomina renda do trabalho.

“É muito provável que o resultado seria diferente se eu tivesse os dados da distribuição da Renda Domiciliar Per Capita (RDPC), incluindo todos os tipos de rendimento. Aposentadorias, pensões e transferências  não são imediatamente afetados pela crise, então a desigualdade da RDPC deve ser mais estável do que a desigualdade da renda da atividade por pessoa economicamente ativa”, diz ele.

Um outro estudo recente também com base na PNAD, feito pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, mostrou que a proporção de brasileiros na classe C caiu dois pontos percentuais, de 56,6% para 54,6%, entre janeiro e novembro de 2015.

Isso significa que cerca de 3,7 milhões de brasileiros deixaram de ter renda mensal familiar entre R$ 1.646 e R$ 6.585 no período e migraram para baixo na pirâmide social.

Não está descartado que a classe C volte a representar menos de metade da população brasileira, o que aconteceu em 2010.

Mercado de trabalho

O país tem hoje mais de 11 milhões de desempregados e os jovens e pobres são os mais afetados. Estudos demonstram que os impactos disso são de longo prazo e afetam as contas públicas e a capacidade de crescimento.

“A tendência das empresas é demitir os empregados que sejam mais facilmente recontratados quando a economia voltar a crescer. Isso faz com que o desemprego atinja, inicialmente, mais os de renda relativamente baixa”, diz Hoffmann.

O ministro do Trabalho e Previdência Social, Ronaldo Nogueira, reafirmou há alguns dias que acredita em uma recuperação do mercado de trabalho a partir de julho.

Segundo Felipe Salles, economista do Itaú Unibanco, o nível de emprego é “o último vagão do trem”: assim como demorou para piorar, vai demorar para melhorar, mesmo com recuperação da atividade.

A previsão do banco é que o desemprego pela PNAD chegue a 12,5% em dezembro de 2016 e 13,5% em dezembro de 2017 antes de voltar a cair.

Fonte: Exame.com 

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