Mulheres ganham 73,7% do salário dos homens. Trabalho de crianças e adolescentes caiu 12,3% em um ano.

Em todo o país, a taxa de desocupação foi de 6,5% em 2013, o que significou aumento em relação à taxa de 2012, de 6,1%. A alta não acontecia desde 2009, ano em que a crise econômica mundial se agravou. Essa taxa é a porcentagem das pessoas desocupadas (as que estão sem trabalhar, mas buscam emprego) em relação às pessoas economicamente ativas, de 15 anos ou mais.

Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013, divulgada nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo investiga dados sobre população, migração, educação, trabalho, famílias, domicílios e rendimento. Foram ouvidas 362.555 pessoas em 1.100 municípios.

A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, diz que, em outras pesquisas que tratam da desocupação, há uma tendência de queda. “Esse aumento, a Pnad mostra é que um aumento pontual que deve ter acontecido alguma coisa mais localizada na região Norte, onde percebemos alguma coisa, e alguma coisa dentre os mais jovens. De certo modo, tem alguma indicação que tinha aumentado ligeiramente a taxa de ocupação para aquela semana pesquisa [a última semana de setembro de 2013] que a Pnad mostra”, explica.

Segundo ela, a taxa de desocupação continua sendo a segunda menor desde 2001, com a série harmonizada da Pnad (que inclui dados de todo o país menos área rural dos estados de Roraima, Rondônia, Acre, Amazonas, Pará e Amapá). A menor foi em 2012. “Ainda é uma taxa de desocupação bastante baixa para o que é o padrão da Pnad. Acho que falar em encolhimento de mercado de trabalho meio exagero. Até porque, o que está acontecendo no mercado de trabalho é agora que você está vendo a continuidade dos movimentos que a Pnad já tinha mostrado”, afirma Wasmália Bivar.

O total de pessoas desocupadas foi de 6,7 milhões em 2013, soma 7,2% maior do que em 2012. Com exceção do Sul, que teve redução de 2,2%, em todas as regiões houve aumento da desocupação, principalmente nas regiões Norte (alta de 17,2%) e Centro-Oeste (11%).

Pessoas ocupadas

A taxa de pessoas economicamente ativas (15 anos ou mais), em relação ao total da população da mesma faixa etária, era de 65,5% em 2013, o que indica estabilidade em relação a 2012, quando havia sido de 65,9%. Em comparação com 2008, a queda do indicador foi de 3,1 pontos percentuais. No grupo de economicamente ativas entram tanto as pessoas ocupadas quanto as desocupadas.

A Pnad mostrou uma tendência de menor participação na força de trabalho de jovens entre 15 e 29 anos. Em 2012, Entre as pessoas acima de 30 anos de idade, houve elevação.

A população ocupada totalizou 95,9 milhões de pessoas em 2013, o que representou um crescimento de 0,6% na comparação com 2012.

Renda média

O rendimento médio real de todos os trabalhadores em 2013 foi estimado em R$ 1.681 por mês, valor 5,7% superior à média verificada em 2012 (R$ 1.590) e 29,3% superior à média de 2001 (R$ 1.300).

Em 12 anos, os trabalhadores viveram dois momentos distintos: de 2001 a 2004 houve perdas anuais na renda e, de 2005 a 2013, ganhos reais.

No ano passado, as maiores médias foram registradas no Distrito Federal (R$ 3.114) e em São Paulo (R$ 2.083), enquanto no Ceará (R$ 1.019), no Piauí (R$ 1.037) e em Alagoas (R$ 1.052) observaram-se as médias mais baixas.

Homens e mulheres

Em 2013, as mulheres receberam, em média, 73,7% do salário dos homens. Em 2012, essa proporção era de 72,8%. O rendimento médio dos homens no ano passado foi de R$ 1.890 por mês e o das mulheres, R$ 1.392.

A menor diferença da renda média por sexo foi vista no Amapá, onde as mulheres receberam 98,2% do salário dos homens. A maior foi observada em Santa Catarina, onde as trabalhadoras tiveram 64,1% do ganho deles.

Carteira assinada

Formado por 36,8 milhões de pessoas em 2013, o total de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado teve acréscimo de 1,3 milhão de trabalhadores em relação ao ano anterior. Isso significa um aumento de 3,6% de um ano para o outro e expansão de 9,9 pontos percentuais frente a 2001.

O número de trabalhadores domésticos com carteira assinada subiu 11,38%, passando de 1,92 milhão, em 2012, para 2,14 milhões, no ano seguinte.

Os domésticos, com e sem registro em carteira, somaram 6,43 milhões em 2013, resultado próximo do observado um ano antes, 6,44 milhões. Houve queda de apenas 0,16%.

Trabalho infantil

No ano passado, 486 mil crianças de 5 a 13 anos estavam em situação de trabalho infantil, sendo 333 mil meninos e 153 mil meninas. Em comparação com o ano passado, a queda foi de 13,36%. A maior parte dessas crianças (63,8%) estava na agricultura.

A legislação brasileira proíbe o trabalho de crianças e adolescentes menores de 16 anos. Entre 14 e 16 anos é possível exercer atividades remuneradas apenas na condição de aprendiz.

O país tinha 3,1 milhões de trabalhadores de 5 a 17 anos de idade no ano passado, número 12,3% menor do que no ano anterior. Isso significa menos 438 mil crianças e jovens nessa condição.

Segundo o IBGE, em termos percentuais, a queda mais relevante se deu entre crianças de 5 a 9 anos, de 29,2%, ou seja, menos 24 mil trabalhadoras de 2012 para 2013.

Em números absolutos, a maior queda foi entre adolescentes de 14 a 17 anos: menos 362 mil trabalhadores.

O ganho médio das pessoas entre 5 e 17 anos foi estimado em R$ 557 por mês em 2013. Elas trabalharam, em média, 27 horas por semana.

Fonte: G1

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