Em dezembro do ano passado, a taxa havia ficado em 4,3%. Índice é o maior desde setembro de 2013, quando bateu 5,4%.

Por Anay Cury e Cristiane Cardoso

A taxa de desemprego iniciou 2015 em alta, alcançando o maior índice desde setembro de 2013, quando bateu 5,4%.

O indicador ficou em 5,3% em janeiro, depois de atingir 4,3% no mês anterior e 4,8% no primeiro mês de 2014.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Na passagem para janeiro, dois fatores podem estar atuando [no aumento do desemprego]: processo de início de dispensa de temporários que foram contratados anteriormente ou o processo de aumento da procura por pessoas que haviam interrompido a procura no fim do ano. Cada ano pode ter uma configuração”, disse Adriana Araújo Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A especialista explicou que em dezembro a pesquisa registra taxas mais baixas por causa da pouca procura por trabalho nas duas últimas semanas do ano. “Quando você vira o ano, você inicia um processo de pressão no mercado de trabalho.”

“Houve retração da população não economicamente ativa de menos 34 mil pessoas, que não estão nem trabalhando, nem procurando. De fato, o que se sobressaiu foi o aumento da desocupação [237 mil pessoas]”. Segundo Adriana Beringuy, na comparação mensal, a redução de 34 mil pessoas na população não economicamente ativa “é o primeiro janeiro desde 2003 que houve pequena redução desse grupo. Contribuindo para o aumento da procura, não apenas das pessoas que foram desligadas, mas também pode estar contribuindo o aumento das pessoas que antes não estavam procurando”.

A população desocupada cresceu 22,5%, para 1,3 milhão de pessoas. A alta foi a maior da série para todos os meses de janeiro, desde 2003, segundo Adriana. Em relação a janeiro do ano passado, o aumento foi menor, de 10,7%. Já a população ocupada somou 23 milhões, registrando uma queda de 0,9% diante de dezembro, mas ficou estável na comparação com o primeiro mês de 2014.

O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) ficou em 52,8%.

No setor privado, o número de trabalhadores com carteira assinada caiu 2,1% em relação a dezembro, para 11,6 milhões e 1,9% diante de janeiro de 2014. Esse recuo de 1,9% no emprego com carteira assinada foi o primeira para o mês de janeiro desde o início da série, segundo o IBGE.

“A gente percebe que ao longo do tempo esse vínculo [do emprego com carteira assinada] vem aumentando. Na comparação com 2014, houve queda. Ainda que a carteira viesse aumentando em 2014, aumentava em ritmo inferior àquele verificado nos anos anteriores. O ano 2014 foi o menor percentual de geração de empregos desse tipo.”

O desemprego aumentou na maioria das regiões analisadas pela pesquisa. No Recife, a taxa subiu de 5,5% para 6,7%; em Salvador, de 8,1% para 9,6%; em Belo Horizonte, de 2,9% para 4,1%; em São Paulo, de 4,4% para 5,7%. Nos outros locais, o índice não variou de dezembro de 2014 para janeiro de 2015.

“O caso de São Paulo, em termos das populações, você observa processo de dispensa da atividade econômica, umas mais outras menos, e por outro lado, tem crescimento da procura por trabalhado. Então, isso fez aumentar a taxa na região. De maneira mais significativa, teve na educação, saúde e administração pública, que houve dispensa de 90 mil pessoas. (…) Esse movimento repercutiu sim para o dado do total das seis regiões”, afirmou.

Ao contrário dos outros indicadores, o dos salários mostrou alta nas duas comparações. Ao chegar a R$ 2.168,80 em janeiro de 2015, o rendimento real médio dos trabalhadores ficou 0,4% acima do valor de dezembro e 1,7% na comparação com janeiro do ano anterior.

Os salários ficaram menores em Porto Alegre (2,1%) e no Rio de Janeiro (1,5%), mas cresceram em Salvador (2,9%), no Recife (1,5%), em Belo Horizonte (1,4%) e em São Paulo (1,0%).

Na comparação com janeiro de 2014, foram registradas altas em Salvador (14%), no Rio de Janeiro (1,9%), em São Paulo (1,5%) e no Recife (1,3%). Em Belo Horizonte, a queda foi de 2,2% e em Porto Alegre, não houve alteração.

O salário que mais aumentou, 2,2%, foi o dos profissionais de educação, saúde e administração. Ficaram mais baixos os rendimentos nas áreas de construção (-1,2%) e outros serviços (-2,4%). Na comparação anual, os salários do comércio caíram 1,1%.

Fonte: G1 

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