Em São Paulo, um curso para cuidador de idosos no Senac dura 160 horas, o que dá dois meses. É tanta procura que tem fila de espera para a inscrição. “Aqui eu tenho um público misto, desde 18 anos até acima de 50 anos. A profissão de cuidador não põe limitação, se você tem habilidade motora, se tem capacidade, você pode ser cuidador”, afirma Jane Liliane Cruz, professora do Senac.

Outra área que não conhece crise é a de telemarketing. Só uma empresa em São Paulo contrata 700 profissionais por mês. Jéssica Silveira foi contratada há oito meses: “Todos os supervisores que eu tive até hoje, em toda a minha vida, começaram no call center, de operador para coordenador, gerente”.

Para não perder uma turma animada, a empresa criou um plano de carreira: começa como operador e pode chegar longe. “Pode ser monitor de qualidade, pode ser backoffice, cuidar do segundo nível, supervisor de operações. Ele pode ir para a área de treinamento, ser um analista para capacitar os analistas que estão começando ou até qualificar melhor os analistas que estão começando. Tem a área de planejamento e a gerente de operações”, explica Darci Brasão, gerente de operações.

Vagas no campo
Em Goiás há oportunidades de vagas também no campo. Com a maior área irrigada por pivôs da América Latina, Cristalina, em Goiás, tem 70% da geração de empregos tirada do campo. São 36 produtos diferentes cultivados nas lavouras da cidade. Com a boa produção, o mercado de trabalho fica aquecido o ano todo.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que só no ano passado foram criadas mais de 11 mil novas vagas no campo. “É muito emprego gerado aqui e ele é sustentável, pois tendo água, temos a irrigação e tendo a irrigação você tem produção”, comemora Aléssio Maróstica, presidente do Sindicato Rural de Cristalina.

Foi esse atrativo que fez Renato Caetano se especializar em agronomia. Ele começou a carreira trabalhando em uma multinacional, ficou na empresa por seis anos e, depois disso, fez pós-graduação em marketing de agronegócio. Agora, ele é especializado em consultoria. São 21 anos na construção de uma carreira que vem dando certo. “Foi uma trajetória de aprendizado. Quando a gente sai da faculdade, sai com uma grande expectativa e, se você está focado nessas expectativas, você está aprendendo e construindo uma trajetória”, diz.

Essa é a história de quem tem um trabalho. Alguém que desde cedo escolheu uma profissão e vem se aperfeiçoando cada dia mais. Diferente de quem tem um emprego, como é o caso de Daniele Fonseca. Ela é operadora de empilhadeira em uma cooperativa e abraçou a oportunidade de emprego, com um bom salário, mas não pensa em seguir uma carreira na área.

Emprego x trabalho
Formada em administração no ano passado, Daniele ainda não conseguiu uma vaga no mercado de trabalho na área administrativa, mas garante que não pretende ficar para sempre no emprego atual: “Não que eu não goste de operar máquina, mas eu quero crescer mais”.

“O profissional que entra em uma empresa com esse pensamento de que eu sou um empregado, ele vai entrar na empresa, vai cumprir com as obrigações que ele tem que fazer e vai esperar a recompensa dele no fim do mês, que é o salário. O trabalho está ligado diretamente ao estilo de vida da pessoa, ou seja, é a busca pela concretização de um sonho que o profissional tem”, explica Robinson Santos, consultor de RH.

Assim como Daniele, tem muitas pessoas que trabalham em uma atividade diferente do curso que estão estudando, enquanto não surge a chance da sonhada profissão. É uma turma que vai ganhando dinheiro e fazendo algo que também gosta, ou porque o emprego dos sonhos demora a chegar ou porque não dá o retorno financeiro necessário.

Nas horas vagas, Ceres Barbosa, estudante de direito, vira pet sitter. Ela cuida de animais de estimação quando os donos viajam, um trabalho que não tem nada a ver com a advocacia, que ela tanto sonha. Mas o bico rende um bom dinheiro extra. “Ajuda muito até para manutenção do meu próprio curso, com cópias, livro, passagem, tudo isso”, relata.

A estudante de biologia Fernanda Medeiros está esperando se formar para conseguir um emprego e entrar na área, mas até lá, ela está ganhando dinheiro fazendo o que gosta, como recreadora: “Como eu não tenho ainda uma coisa certa relacionada a biologia, eu tive que procurar meios para suprir minhas necessidades”.

Fonte: G1 – Jornal Hoje

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