A participação dos trabalhadores com mais anos de estudo no total desempregados vem aumentando ao longo dos últimos 20 anos, enquanto que a parcela dos menos qualificados (com nivel fundamental incompleto) vem caindo, aponta estudo divulgado nesta segunda-feira (7) peloInstituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o estudo, em 2012, mais de 50% dos desempregados tinha 11 anos de escolaridade ou mais.

A análise aponta que a parcela de trabalhadores mais qualificados entre os desempregados cresce ano a ano, atingindo a metade do total de desempregados em 2009 e crescendo mais ainda de lá para cá.

“O contingente daqueles dispostos a trabalhar, mas que por algum motivo não conseguiram um posto de trabalho, está concentrado em trabalhadores de maior qualificação e não o contrário”, diz o documento.

O estudo analisou a evolução, entre 1992 e 2012, dos principais indicadores do mercado de trabalho brasileiro, tais como taxa de desemprego, participação, ocupação e informalidade.

A pesquisa mostra que, durante esses 20 anos, há expansão da oferta relativa de mão de obra mais qualificada (em relação ao grupo de menor qualificação), especialmente nos grupos de ensino médio completo e com algum ensino superior (11 a 14 anos de escolaridade).

A pesquisa aponta, ainda, que após alta significativa em 2009, a taxa de desemprego voltou a apresentar uma trajetória de queda contínua nos anos seguintes, chegando a 6,7% em 2012 – o valor  mais baixo para a taxa de desemprego agregada nos últimos 20 anos, apenas observado em 1994 e 1995.

Aumento da oferta
O levantamento aponta, ainda, que há “evidências contrárias” à noção de que haveria uma escassez de mão de obra qualificada no país. Isso porque a oferta de trabalho qualificado vem aumentando quase que continuamente, especialmente na última década. De outro, o preço relativo da mão de obra mais qualificada vem caindo também quase que continuamente.

“Sendo assim, essas evidências sugerem que, se há escassez, é de mão de obra não‐qualificada”.

O texto ressalta, contudo, que a análise não elimina a possibilidade que setores específicos podem ter experimentado uma escassez de profissionais qualificados e especializados.

“Porém, este não é o cenário para o mercado de trabalho como um todo. Não obstante, o nível de qualificação da força de trabalho no Brasil segue baixo e com baixa produtividade, o que deixa aberta uma ampla avenida para ganhos futuros.”

Fonte: G1

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