Ser demitido nunca será fácil, mas você sofrerá muito mais se a notícia for completamente inesperada. Além de doloroso, o fator surpresa torna o golpe muito mais violento para a sua estabilidade financeira.

O problema é que a maioria das pessoas só se dá conta da iminência do seu desligamento quando já é tarde demais. “Muita gente ignora ou nega os indícios porque não quer sair da sua zona de conforto”, afirma Rafael Souto, CEO da consultoria Produtive. Ao ignorar o fantasma da demissão, porém, você só está desperdiçando tempo e oportunidades de reagir.

Os sinais costumam avançar de fora para dentro. Sua empresa está passando por dificuldades em meio à crise econômica e tem feito repetidas reestruturações e cortes de pessoal? Sinal amarelo, diz Souto. Quando as demissões chegam ao seu departamento e colegas próximos começam a ser dispensados, é preciso aguçar ainda mais os sentidos.

O comportamento do seu gestor também pode dar algumas pistas de que o círculo está se fechando sobre você. “Se você é o próximo da lista, o líder pode começar a tratá-lo de forma mais objetiva, menos carinhosa do que o habitual, porque não quer parecer falso diante de alguém que em breve será demitido”, explica Yuri Trafane, sócio da Ynner Treinamentos.

Cuidado: estar atento aos indícios de uma demissão não significa acreditar em todas as previsões catastrofistas dos seus colegas de trabalho ou sucumbir à melancolia coletiva que costuma contaminar ambientes em crise.

O importante é ser capaz de se antecipar aos acontecimentos e traçar um plano. Na melhor das hipóteses, você poderá evitar o seu desligamento. Na pior, você ao menos ganhará tempo para se organizar financeiramente e adiantar a sua busca por um novo emprego.

Mas como executar essa façanha? Souto e Trafane dão os seguintes conselhos:

1. Chame seu gestor para uma conversa franca

Discutir abertamente as suas suspeitas com o seu chefe é arriscado, mas em certos casos pode evitar o pior. “Peça um feedback para saber se há algum problema no seu comportamento que você pode reverter e, assim, impedir o seu desligamento”, diz Trafane. No mínimo, você passará o recado de que está comprometido e preocupado em melhorar.

Tudo depende, claro, do nível de intimidade que você tem com o seu líder. Se houver confiança entre vocês, e ele admitir que você será o próximo da lista, a conversa pode evoluir para um acordo. “Você pode negociar o prazo para a demissão ou os seus horários de trabalho para ter tempo de fazer entrevistas de emprego, por exemplo”, explica Souto.

2. Pareça ser o que você é

Quer você queira, quer não, vivemos em um mundo de aparências. Não significa que você terá sucesso sendo uma bela embalagem vazia — mas que as suas competências não se sustentam sem alguma dose de marketing pessoal.

“Se o seu emprego está ameaçado, mostre que eles precisam de você”, aconselha Trafane. Não basta trabalhar mais: é preciso divulgar os resultados que você gerou, seja em relatórios e e-mails, seja em conversas ou reuniões. Um profissional competente e produtivo também deve parecer excelente.

3. Posicione-se como parceiro do negócio

Você corre o risco de ser demitido porque as finanças da empresa vão mal? Uma saída é se diferenciar pelo otimismo. Isso porque os pessimistas e queixosos costumam os primeiros na lista de dispensas de uma companhia em crise.

Para Souto, as empresas tendem a manter os funcionários mais colaborativos e positivos do grupo, isto é, aqueles que agem como se também fossem donos do negócio. Ainda que isso não impeça a sua demissão, é possível que você caminhe para o final da “fila” de desligamentos e, assim, ganhe algum tempo para planejar os seus próximos passos.

4. Tente descobrir se você pode ser transferido

Outra tática para atrasar o seu desligamento da empresa é investigar se o seu trabalho pode ser aproveitado em outra área da empresa, que esteja a salvo dos cortes. Assim, mesmo que você seja dispensado do seu departamento original, ainda manterá o seu emprego.

Essa solução costuma dar certo para quem investe em networking interno. “É importante que você seja uma pessoa bem relacionada na empresa como um todo, para saber quais áreas precisam de gente”, explica Souto. Em alguns casos, também ajuda estar atento aos canais de divulgação de vagas da companhia na internet ou em redes sociais como o LinkedIn.

Fonte: Exame.com 

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