Terminar o trabalho e ajudar o sucessor ajudam a deixar as portas abertas. Profissional deve refletir e avaliar se tomou a decisão correta.

Por Pâmela Kometani

Pedir demissão não é uma tarefa fácil. E, com o mercado cada vez mais dinâmico, muitos profissionais não sabem o que falar na hora de informar sua saída. Como sair com uma boa impressão e deixar as portas abertas? Como ser lembrado em uma futura oportunidade? Essas são algumas das dúvidas de quem está deixando a empresa e quer pedir demissão sem se queimar.

Segundo especialistas em RH ouvidos pelo G1, a verdade deve prevalecer o profissional deve ser prático na hora de comunicar sua saída. “A verdade e o motivo real da demissão são sempre as melhores explicações. A transparência é essencial. Se ele for para outra empresa, em algum momento, todos vão saber”, afirma Camila Freitas, coordenadora de RH do Gi Group.

Para Augusto Puliti, diretor geral da DM Seleção, não pega bem mudar para o concorrente sem avisar o empregador anterior. “Alguns pedem demissão e falam que vão para um sabático porque não querem falar que vão para o concorrente, e depois de algumas semanas todo o mercado sabe da mudança. A maioria dos processos de contratação é longa, portanto a empresa anterior pode ter uma reação. É melhor falar a verdade.”

Veja abaixo 10 dicas para pedir demissão sem se queimar:

1) Reflexão e tomada de decisão

Segundo André Rapoport, diretor geral da Right Management Brasil, o profissional deve fazer uma reflexão e avaliar se está tomando a decisão certa. Ele lembra que, às vezes, o momento da empresa ou a relação com o chefe não está muito boa, mas que isso pode mudar. “As companhias são muito dinâmicas, por isso é importante ter cuidado para não sair por impulso”, afirma.

“O contrato de trabalho é algo cíclico, é um acordo que existe por um tempo e como todo relacionamento há algum desgaste. Não há nada de errado em seguir outro caminho”, diz Puliti.

2) Comunicação com o chefe direto

Com a decisão tomada, a primeira pessoa que deve saber da demissão é o chefe direto. Nada de falar para um colega de trabalho ou deixar o assunto vazar nos corredores da companhia.

Como o assunto da conversa é sério, não vale abordar o chefe durante o café depois do almoço ou no banheiro, enquanto ele escova os dentes. Isso não vai deixar o tópico mais descontraído. “A comunicação deve ser objetiva e factual”, diz Rapoport.

3) De olho no ânimo e nas emoções

“O tema é relativamente simples, mas pessoas conseguem complicar. As emoções podem complicar bastante e fazer o pedido de demissão se transformar em um desabafo”, lembra Puliti.

Camila ressalta que a comunicação da saída não é o momento ideal para “lavar a roupa suja”, já que a decisão do profissional já está tomada. “Ele pode ser transparente, mas não precisa, esmiuçar ou se alterar.”

4) Motivos reais e novos planos

Todos os especialistas acreditam que a verdade deve ser informada na hora da demissão. Como o mercado é dinâmico e pequenos, todos vão saber onde o profissional vai trabalhar “Os mercados são pequenos, portanto é preciso ter uma atitude profissional sempre. Esse é só mais um momento”, diz Camila.

5) Vale ouvir a contraproposta?

Segundo Rapoport, o profissional deve ouvir a contraproposta da atual empresa, mesmo que já tenha tomado sua decisão. “Pode haver uma proposta não somente financeira. Às vezes o escopo do cargo não é mais o que o profissional gosta de fazer. É importante ouvir o que o chefe tem a dizer”, completa. Ele pode não mudar sua decisão, mas é uma atitude que mostra sua educação e profissionalismo.

6) Tempo para passar o bastão

“É essencial que o profissional termine o que está fazendo de forma estruturada. Ele não pode simplesmente largar a empresa”, afirma Camila.

Rapoport ressalta que na hora do desligamento, ele deve se colocar à disposição para o período de transição. “Ele deve dar todas as informações para quem vai substituí-lo”. Também é importante terminar os projetos e trabalhos que estavam em andamento.

7) Começo na nova empresa

Camila ressalta que o profissional pode negociar as condições de trabalho na nova empresa. “Sempre falo que na hora da admissão tudo é negociável, salário e início do trabalho. Muitas companhias sempre vão falar que a contratação é para ontem, mas eu consideraria se quero ir para um lugar que não é flexível”.

8) Falar mal do antigo emprego

Criticar a empresa após sair do trabalho não é bem visto pelos recrutadores. “Se alguma coisa o incomodava ou não estava bem, ele não deve sair criticando, falando mal no mercado. Isso é deselegante e pega mal”, ressalta Puliti. Falar mal da empresa internamente também não é uma boa conduta.

9) Feedback para o RH

Os profissionais podem falar os motivos de sua saída para o setor de recursos humanos da empresa. Problemas com a chefia, que poderão acontecer com outros colegas e insatisfações podem ser abordados na conversa. “Isso é possível e é positivo, porque mostra que ele se preocupa com os que ficam e com a própria empresa”, diz Rapoport.

Ele ressalta que o profissional deve avaliar se a companhia está pronta para ter este tipo de feedback. “Quando a empresa ou o gestor não é maduro, a boa intenção pode ser mal interpretada”.

10) Portas abertas

Mesmo com o pedido de demissão, o profissional pode dizer que está à disposição para oportunidades no futuro. Manter um relacionamento com os colegas também é uma boa forma de ter boas relações. “As empresas não deixam de ser um grupo de pessoas, uma  entidade formada por elas, saber se relacionar com elas e mesmo depois manter o networking  pode fazer toda a diferença”, completa Puliti.

Fonte: G1 

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