Se você sonha em trabalhar no Facebook, aí vai uma boa notícia: a rede social mais popular do planeta está com dezenas de vagas abertas e deve oferecer muito mais oportunidades para brasileiros nos próximos tempos.

Localizado em São Paulo, o escritório da multinacional no país conta com 250 funcionários — um número que a empresa quer aumentar. Não à toa: a rede social fundada por Mark Zuckerberg conta com nada menos que 108 milhões de usuários no Brasil, o que torna o mercado local altamente estratégico.

Em entrevista exclusiva a EXAME.com, Carolina Verdelho, gerente de recrutamento do Facebook para a América Latina, diz que as subsidiárias da empresa em países latinos estão recebendo muitos investimentos para expandir seus quadros.

“Em 2016, contratamos um grande número de profissionais de nível sênior para várias posições de diretoria e gerência”, explica a executiva. “Para o fim do ano e o início de 2017, teremos mais vagas para esse e muitos outros perfis”.

De marketing a engenharia de software, as vagas para brasileiros são bastante variadas, tanto para posições até então inéditas na América Latina quanto para cargos que já existem há muito tempo por aqui.

Por outro lado, o crescimento na oferta de posições no país não significa necessariamente que ficou mais fácil conseguir um emprego na rede social — afinal, a concorrência é imensa. “Não divulgamos a quantidade de currículos que recebemos globalmente todos os anos, mas posso dizer que é um número absolutamente insano”, diz Verdelho.

Com tanta procura, é natural que as diretrizes de recrutamento do Facebook sejam alvo de uma série de fantasias e mal-entendidos.

Além de imaginar que a empresa contrata apenas formados em faculdades de primeira linha, muita gente acredita que só pessoas com 20 e poucos anos de idade têm chance na empresa fundada pelo jovem Mark Zuckerberg. Nada disso é verdade, segundo Verdelho.

Na entrevista, a gerente de recrutamento para a América Latina do Facebook explica quais são os verdadeiros parâmetros usados pela multinacional na hora de selecionar futuros funcionários, bem como detalhes sobre a rotina de trabalho na empresa.

Confira a seguir os principais trechos da conversa:

– Como o Facebook começa a busca por um candidato?

Carolina Verdelho – O processo começa quando definimos o perfil desejado para aquela posição, isto é, os requerimentos de cada vaga. Isso será essencial na triagem e qualificação dos currículos. A principal porta de entrada é o site de carreiras do Facebook, no qual estão publicadas todas as oportunidades abertas no mundo todo.

Também temos um programa de indicações por funcionários, no qual qualquer pessoa que trabalha no Facebook pode sugerir alguém para uma vaga, por considerar que aquele profissional tem forte aderência aos valores da empresa. Damos uma atenção especial para quem é indicado por um funcionário nosso, embora isso não signifique que ele terá privilégio sobre outros candidatos.

– Uma vez descoberto um candidato interessante, quais são os próximos passos?

Carolina Verdelho – Depende muito da vaga. O processo de recrutamento de estagiários, por exemplo, é bastante peculiar. Mas vou descrever o funcionamento que funciona de forma mais generalizada, e não se aplica ao caso do estágio.

Feita a triagem de currículos, chegamos a um número muito reduzido de candidatos que podem ter perfil para aquela posição. Agendamos uma conversa por telefone, na qual o recrutador pergunta sobre a experiência profissional da pessoa e verifica sua aderência aos valores do Facebook.

Se a pessoa é qualificada nessa primeira conversa, começa uma série de entrevistas com vários entrevistadores. Cada uma delas é eliminatória. Essas conversas podem acontecer presencialmente ou por videoconferência, já que temos muitos entrevistadores que não estão no Brasil. Quando o avaliador é estrangeiro, a conversa precisa ser em inglês ou espanhol.

– Do ponto de vista comportamental, como você descreveria um funcionário ideal para o Facebook?

Carolina Verdelho – Não existe uma fórmula mágica, mas algumas dicas funcionam bem. Buscamos pessoas com forte aderência aos valores do Facebook, que são amplamente divulgados.

O primeiro é o que chamamos em inglês de “move fast” [em tradução livre, “mova-se rapidamente”]. Como qualquer empresa de tecnologia, nós precisamos ser ágeis na tomada de decisão, porque nosso cenário de atuação é muito dinâmico, muda constantemente. Há apenas quatro anos, por exemplo, nem o WhatsApp nem o Instagram faziam parte do Facebook. Isso mostra como as coisas mudam muito rapidamente para nós.

Outro ponto fundamental é “be bold” [em tradução livre, “seja corajoso”], ou seja, tomar a iniciativa, ser inovador, criativo e ousado. Também significa falar abertamente sobre aquilo que está incomodando.

Também cultivamos o valor que definimos como “be open” [em tradução livre, “esteja aberto”], que descreve a capacidade de ter um canal livre de diálogo com outras pessoas e estar aberto a novos negócios. Imagine que, quando entrei na empresa, nunca imaginei que iríamos construir um drone para levar sinal de internet a comunidades remotas. A empresa está aberta ao novo.

“Focus on impact” [em tradução livre, “tenha foco no impacto”] é outro ponto fundamental. No Facebook, temos avaliações de desempenho duas vezes por ano, o que quer dizer que buscamos perceber o impacto que cada pessoa trouxe para a empresa a cada seis meses. Isso mostra a importância desse tema para nós.

Finalmente, falamos muito em “build a social value” [em tradução livre, “construa um valor social”], que tem a ver com a vontade de deixar o mundo mais aberto e conectado. Cada profissional da empresa precisa cultivar esse valor, porque no fim das contas é para isso que estamos aqui.

Destaco ainda dois requisitos comportamentais, que não são divulgados na nossa página de carreiras.

O primeiro tem a ver com colaboração. Para ter sucesso no Facebook, você precisa saber transitar entre diversas áreas e diversas equipes. A colaboração vale a pena mesmo quando desacelera um processo de decisão.  A gente acredita que ninguém faz nada sozinho.

O segundo ponto é a transparência, da qual o nosso CEO Mark Zuckerberg é o maior exemplo. Esse ponto é muito valorizado pela empresa e é praticado no dia a dia. Todos os grandes anúncios e decisões da empresa são compartilhados antes, em primeira mão, com os funcionários.

– Você destacaria algum requisito técnico indispensável para qualquer vaga na empresa?

Carolina Verdelho – Os requisitos técnicos dependem muito de posição para posição. Mas o que é realmente imprescindível para todas as vagas é o inglês. Não esperamos um nível fluente ou nativo, mas pelo menos avançado. O processo seletivo costuma envolver entrevistadores estrangeiros, então o idioma já é um fator eliminatório. O candidato precisa se fazer entender em inglês na própria entrevista.

– Quem o Facebook não contrata de jeito nenhum?

Carolina Verdelho – Quem mente no processo seletivo. A transparência é algo muito importante para nós. Não respeitar isso é uma forma eficaz de sair da nossa seleção.

– Os recrutadores do Facebook checam o perfil dos candidatos na rede social?

Carolina Verdelho – Todo mundo me faz essa pergunta e ninguém acredita na resposta! [risos] Mas vou continuar dando a mesma resposta porque ela é a verdadeira: não, nós não olhamos o perfil dos candidatos. Nem haveria tempo hábil para isso. Também é uma questão de respeito à privacidade. Se não nos foi dada a autorização para olhar o perfil de uma pessoa, nós não olhamos.

– Uma pessoa que não costuma publicar muito no Facebook interessa menos à empresa do que aquela que faz atualizações diárias na rede social?

Carolina Verdelho – Para se candidatar, você precisa obrigatoriamente ter um perfil no Facebook. Mas a regularidade das suas publicações não interfere em nada. Posso dar o meu exemplo pessoal. Eu não sou uma pessoa que posta muito, e postava ainda menos quando fui contratada. Eu prefiro usar o Facebook para absorver notícias e informações, e não tanto publicar. Nós respeitamos a opção de uso de cada candidato. Só conseguimos trazer diversidade para a empresa se buscarmos pessoas com diferentes formas de agir e pensar.

– Quais são os maiores mitos sobre como é trabalhar no Facebook?

Carolina Verdelho – O primeiro é sobre os princípios do recrutamento. Muita gente acha que só contratamos quem estudou numa universidade de primeira linha, que está entre as “top 5”. Não é verdade. Não fazemos triagem com base nas instituições educacionais que os candidatos frequentaram, nem com base nas empresas em que essas pessoas trabalharam. A gente busca diversidade, e isso vem por meio de diferentes experiências acadêmicas e profissionais.

Outro mito é a ideia de que os funcionários do Facebook passam muito tempo brincando, porque temos videogame e pingue pongue no escritório. É justamente o contrário. Temos um foco tão grande nos resultados e nos dedicamos tanto que é tão importante ter um tempo para descansar e se divertir. A verdade é que a gente trabalha bastante.

Além disso, existe a ideia de que quem trabalha no Facebook fica rico. Quem era para ficar rico já ficou, antes de abrir o IPO [risos]. Temos uma ótima política de remuneração e benefícios, mas não dá mais para ficar rico, já foi a época.

Eu mencionaria ainda um último mito, que é a ideia de que você precisa ter no máximo 30 anos para trabalhar no Facebook. Isso vem muito por causa do nosso CEO, Mark Zuckerberg, que é bastante jovem comparado a outros CEOs. Não é bem assim. Obviamente a empresa conta com um número grande de pessoas jovens, mas não é única e exclusivamente formada por elas. Quando falamos de posições de nível executivo, por exemplo, a maioria dos nossos funcionários já passou dos 30 anos há um bom tempo. Temos uma amplitude de idades bem interessante no Facebook. Só na minha equipe, convivo com umas três gerações diferentes, e acho sensacional aprender com essa diversidade.

EXAME.com – Por ser relativamente jovem, com menos de 13 anos de idade, o Facebook é tido por muita gente como uma empresa com “jeitão” de startup, isto é, um ambiente em que muito ainda precisa ser estruturado. Trabalhar com vocês traz essa vivência de startup, no estilo “vamos construir tudo”, ou a empresa já tem uma certa maturidade nas estruturas e processos?

Carolina Verdelho – Não existe mais o clima de startup, mas a empresa continua sendo construída.Todo dia surge uma novidade no mercado e, consequentemente, é preciso inovar. Costumamos dizer que o trabalho só está “1% concluído”, mas é desse dinamismo que estamos falando. Definitivamente não nos comportamos mais como startup.

Queremos contratar pessoas que já tiveram a experiência de trabalhar em empresas mais maduras, onde há processos e estruturas sólidas, mas que também tenham flexibilidade para estar sempre construindo uma empresa. Parece um pouco paradoxal, eu sei. Mas esse é justamente o grande desafio para quem quer ter uma carreira bem sucedida no Facebook.

Fonte: Exame.com 

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