Grande parte do que se discute a respeito de planejamento de vida e carreira está centrado na figura dos profissionais registrados ou executivos. São pessoas que, em algum momento da vida, fazem ou fizeram parte de alguma corporação. Ou seja,  mantêm um vinculo empregatício que lhes proporciona uma identidade socialmente aceita e que muitas vezes é usada como forma de agregar valor tanto ao indivíduo como ao profissional. Essa identidade, no entanto, é apenas “emprestada” pela instituição empregadora, podendo ser retirada a qualquer momento — fato não muito bem compreendido pelos que a possuem.

O mesmo não acontece com o profissional liberal. Este não está enquadrado na categoria de empregado e também não se considera, ou é identificado, como um empresário. O profissional liberal é, geralmente, uma figura solitária — quando muito acompanhado por uma secretária, recepcionista ou assistente —, que busca construir reconhecimento e prestígio por meio de uma clientela cativa e arduamente fidelizada.

Sua marca é seu nome próprio, associado à especialização da atividade exercida. Seu marketing é feito pelo famoso “boca a boca” dos clientes satisfeitos. E seu grande risco são eventuais manifestações dos insatisfeitos. Ele próprio deve administrar sua carreira, negócio, finanças, assim como as sazonalidades do seu mercado e a clientela. No máximo, usa os serviços de um bom e confiável contador.

Mas existem pontos críticos que a grande maioria dos profissionais liberais precisa enfrentar. Dentre os mais comuns, podemos relacionar:

Obsolescência — Descuido ou falta de tempo e atenção para se manter atualizado em relação às mudanças, aperfeiçoamentos e concorrências que, inevitavelmente, surgem no mercado.

Carreira e sucessão — Figura muito centrada na sua própria atuação e brilho, tende a não levar em conta qualquer preocupação com carreira e continuidade. Menos ainda lhe ocorre encaminhar um processo sucessório.

Aposentadoria ou diminuição da carga de trabalho — O termo “aposentadoria” nem passa pela sua cabeça, assim como “planejamento”. Existe grande dificuldade em remanejar seus expedientes e horários de atendimento. Também não busca formas de se reinventar, visando, também, preservar sua autoestima.

Reserva financeira — Poucos são os que se preocupam em criar uma reserva financeira para que possam manter seu padrão de vida e consumo no futuro. Mesmo com a experiência de quem conviveu com uma renda oscilante, pois no seu caso nunca houve um salário fixo no final do mês, 13º e férias remuneradas.

Saúde e cuidados físicos — Curiosamente, mesmo aqueles profissionais que cuidam e indicam soluções para a saúde dos seus “pacientes”, muitas vezes descuidam da sua. Ficam obesos, não mantêm qualquer atividade física e descuidam da alimentação. Ou seja, alegam que sua vida é muito “irregular”, o que dificulta a disciplina.

É muito importante, portanto, que  os profissionais liberais fiquem atentos em relação a esses temas — preferencialmente logo no início da suas carreiras. O descuido, afinal, pode custar muito caro tanto para ele como para seus familiares.

Renato Bernhoeft é fundador e Presidente do conselho de sócios da höft consultoria.

Fonte: Valor Online

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