Segundo psicólogo, pessoa que fica muito tempo trabalhando em uma só uma ideia não consegue vê-la por outro prisma. Especialistas dizem que profissionais precisam se permitir errar.

Por Bárbara Libório

Ser especialista em determinado assunto pode parecer ótimo para a vida profissional. Mas, um estudo do professor Kevin Boudreau, da London Business School, mostrou que possuir muito conhecimento sobre um tema pode minar sua capacidade de inovação.

O professor e sua equipe convidaram pesquisadores de uma instituição líder em pesquisas médicas para avaliar 150 projetos. Os avaliadores não sabiam quem eram os autores dos projetos.

O resultado indicou que os pareceres negativos eram dados quando o projeto de pesquisa se aproximava demais da área de atuação profissional do próprio avaliador e quando ele era extremamente inovador.

Ou seja: quanto mais conhecimento um profissional tem sobre um assunto, menor é a sua capacidade de reconhecer uma inovação que trata sobre ele.

Segundo o psicólogo e sócio-fundador da empresa de recrutamento Top Quality, Carlos Eduardo Pereira, isso é bastante comum. “É o que chamamos de enquadramento. A pessoa fica muito tempo trabalhando em uma só uma ideia e não consegue vê-la por outro prisma”, explica.

Pereira afirma que profissionais em cargos de liderança precisam tomar cuidado com esse tipo de comportamento. Segundo Pereira, os gestores tendem a usar a experiência e a liderança como argumentos para não valorizar ideias novas de funcionários que estão em posições inferiores. “Eles pensam que como não viram isso dar certo em 30 anos de experiência, não dará certo agora. Mas as conjunturas mudam”, afirma.

Para Villela da Mata, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, há também uma dificuldade de aprendizagem. “Quanto mais uma pessoa conhece sobre um assunto, mais difícil é para ela aprender algo novo. Todo conhecimento novo tem que passar pelo atual e o atual é repleto de paradigmas”, diz.

Job rotation e mentoria reversa podem ajudar

Para não deixar o conhecimento sufocar a criatividade, Pereira afirma que práticas empresariais como o job rotation, em que profissionais trocam de posições por determinados períodos, e a mentoria reversa, em que jovens funcionários ensinam competências a profissionais mais experientes, podem ajudar.

“O rodízio de profissionais entre as funções permite que elas seja oxigenadas. E com motivações diferentes, o funcionário fica mais estimulado”, explica.

Pense fora da caixa

Segundo Mata, o melhor remédio para soltar as amarras na hora de criar é perder o medo do erro e da rejeição.

No mundo dos negócios, o publicitário Tiago Ritter, CEO da agência W3haus, conta que a pressão para entregar resultados também pode atrapalhar. “Trabalhamos para marcas. Às vezes os executivos precisam entregar resultados e acham mais interessante fazer mais do mesmo do que inovar correndo o risco de errar”, afirma.

Os profissionais, explica Ritter, precisam se permitir errar. “Eu também sou músico e trago uma ideia de lá: acredito muito na prática. Conseguimos inovar onde praticamos muito. Quando dominamos algo, podemos trilhar novos caminhos.”

Pereira diz que ter um hobby ou outra atividade também pode ajudar a abrir a mente. “Às vezes, fazer pequenas coisas de outras maneiras já faz seus neurônios trabalharem de forma não usual. É como atender o telefone com a mão esquerda por um dia se você é destro”, explica

Além disso, o psicólogo conta que é preciso se policiar. “Quando estiver tomando uma decisão, se pergunte se aquela é a única maneira de fazer aquilo.”

Fonte: IG

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