Pesquisa mostra que 70% se sentem capazes de manter a produtividade, mas que, para 71%, o resto da equipe perde o foco

Acessar redes sociais e e-mails para fins pessoais durante o expediente é algo comum nas empresas atualmente. Diante disso, os gestores têm buscado formas equilibradas para permitir o acesso a essas ferramentas, sem que ele prejudique o rendimento dos funcionários. Mas muito poucos têm segurança em afirmar qual seria o melhor caminho a seguir. A discussão está lançada: quais os limites para o uso dessas ferramentas e até que ponto elas prejudicam ou potencializam a eficiência dos funcionários?

Enquanto alguns profissionais acreditam conseguir conciliar o uso dessas ferramentas com o trabalho, boa parte considera que o hábito influi negativamente no foco, não deveria ser autorizado e, em alguns casos, até poderia ser considerado motivo de demissão. É o que revela pesquisa de opinião elaborada pela coach executiva Eva Hirsch Pontes em parceria com Cristina Panela Planejamento e Pesquisa e a Agência LeadPix, com 1.200 profissionais de diferentes estados.

Um primeiro aspecto que a pesquisa buscou entender foi se o uso das redes sociais interferia na produtividade durante o expediente. A grande maioria dos entrevistados (70%) afirma que consegue harmonizar o tempo entre a navegação e as atividades profissionais. No entanto, apesar de garantirem que são capazes de conciliar o uso das redes sociais com sua atividade profissional, a opinião dos entrevistados é diferente em relação ao uso da ferramenta pelos colegas de trabalho. Para 71% deles, os outros membros da equipe que checam as redes perdem a concentração e o rendimento durante o expediente.

Segundo Cristina Panella, doutora em sociologia e especialista em inteligência e tecnologia do conhecimento, utilizar perguntas sobre o comportamento do próprio entrevistado e como ele avalia o mesmo hábito quando adotado por pessoas próximas é uma técnica comum em pesquisa e demonstra, em certos casos, contradições:

— É corriqueiro que os indivíduos minimizem as consequências da própria atitude, nesse caso a queda da produtividade e concentração, mas visualizem nos colegas o reflexo negativo desse comportamento. Ou seja, os números relativos à conduta alheia costumam ser muito mais próximos da realidade efetiva do que o autodeclarado.

Apesar de acreditar que o acesso a redes sociais não prejudica a rotina de trabalho, quase metade dos respondentes (45%) admite que as novas tecnologias atrapalham a concentração. De acordo com a coach executiva Eva Hirsch Pontes, é necessário ter um equilíbrio no uso das redes sociais e da internet para que o excesso de informações não se torne vilão do foco e da produtividade.

— Temos o hábito de minimizar o efeito dos acesso às redes sociais sobre nossa capacidade de nos mantermos focados. Olhada de forma isolada, a questão sobre redes sociais pode confirmar a tendência a acreditar que o fato de termos nossa concentração interrompida não prejudica nossa produtividade. Este é um engano sério — alerta, acrescentando que vários estudos demonstram que, ao sermos interrompidos, nossos cérebros precisam de um tempo para retomar o raciocínio que vinha sendo desenvolvido. — Essa fragmentação de nossa capacidade de raciocínio tem vários efeitos sobre nossa produtividade: por exemplo, levarmos mais tempo para concluir tarefas ou fazermos análises superficiais de questões complexas.

Wiliam Kerniski, sócio da LeadPix, agência de marketing digital responsável pela operacionalização da pesquisa, pondera que há casos em que as redes sociais e os e-mails pessoais podem ser ferramentas benéficas e produzir, inclusive, aumento da produtividade de alguns profissionais:

— O bom uso das redes sociais e e-mails pode acelerar os resultados, melhorar e corrigir falhas nos processos e dar dinamismo às atividades. Não há dúvida de que o networking, através dos meios digitais, contribui para identificar oportunidades de negócios. O perigo está na falta de discernimento, que pode levar à dispersão e à queda de rendimento no trabalho.

Cristina, por sua vez, indica outros aspectos que vêm pouco a pouco sendo mais valorizados pelas organizações quanto ao uso das redes sociais e e-mails pessoais. Segundo ela, pode ser interessante para a empresa que vários de seus colaboradores atuem como embaixadores da marca em seus perfis sociais. E liberar o acesso ao e-mail pessoal também tem se mostrado uma estratégia útil para evitar um volume de dados muito pesado ou desnecessário na rede corporativa, completa.

Empresas optam por posturas mais tolerantes

Os dados da pesquisa mostram ainda que muitas organizações já percebem que proibir o uso dessas ferramentas não é o caminho e adotam posturas mais tolerantes. No entanto, o acesso ainda é restrito para 39% dos entrevistados, que navegam nas redes sociais apenas em horários estipulados pela empresa. O acesso durante todo o expediente é permitido para 32% dos funcionários e 28% dos respondentes dizem que checar as redes é liberado para apenas uma parte dos empregados. E a restrição do acesso por cargos não agrada: 45% opinam que redes sociais e e-mail pessoal deveriam ser autorizados para todos os funcionários.

E se proibir não é o caminho, o levantamento aponta que vigiar também parece não ser a melhor atitude. A possibilidade de estar sendo monitorado faz com que 43% evitem checar e-mail pessoal e redes sociais durante o expediente, pois não se sentem confortáveis com o risco de ser pego. Pouco mais da metade dos entrevistados (51%) garante que consegue separar as atividades pessoais e profissionais e, portanto, acredita que o que escreve não compromete a empresa. E apenas 5% acabam trocando mensagens em que podem se expor demais.

Ainda que as próprias empresas estejam adotando a prática, em vista dos benefícios que elas podem gerar, para 29% dos respondentes o uso das redes sociais e e-mail pessoal não deveria ser autorizado e até poderia se tornar motivo de demissão.

A pesquisa foi realizada junto a 1.200 pessoas de diferentes estados brasileiros (678 mulheres e 509 homens), em janeiro de 2014, por meio de um questionário via web. Participaram da pesquisa apenas os indivíduos que declararam idade entre 21 e 70 anos (a maioria -379- tinha entre 41 e 50 anos), que estivessem inseridos no mercado de trabalho na época em que a entrevista foi realizada. O estado de São Paulo foi o que apresentou o maior número de respondentes (389), num total de 741 profissionais na Região Sudeste. Participaram do levantamento 133 pessoas no Nordeste, 96 no Centro-Oeste e 75 na Região Norte.

Fonte: O Globo

 

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