Mais da metade dos candidatos em processos seletivos está empregada, segundo pesquisa; mas o que pode acontecer com quem é ansioso por mudanças profissionais?

Por Claudia Gasparini

O mercado de trabalho anda agitado no Brasil. Segundo uma pesquisa da empresa de recrutamento PageGroup, 57% dos executivos que participam de processos seletivos estão empregados.

As causas para tal “desassossego” são várias, na opinião de Sérgio Sabino. Ele é o diretor de marketing da empresa por trás do levantamento, que contou com 800 profissionais de diversos níveis hierárquicos.

Em primeiro lugar, há razões conjunturais. “Embora a economia esteja pouco aquecida, o cenário é de baixo desemprego e alta rotatividade”, afirma Sabino. Com a relativa suficiência de postos de trabalho, existe um convite maior à busca por oportunidades mais atraentes.

Uma segunda explicação para o quadro tem cunho sociológico. O executivo afirma que a geração Y está começando a assumir cargos de gestão. Isso significa que uma grande parcela de executivos na ativa se encaixam no perfil tipicamente atribuído a essa faixa etária.

“Profissionais ansiosos, ambiciosos e cronicamente insatisfeitos estão dominando o mercado de trabalho”, afirma o diretor da PageGroup.

Riscos

Não há nada de condenável em monitorar vagas enquanto se está empregado. No entanto, de acordo com Sabino, fazer isso de forma mal calculada pode trazer danos à sua imagem no mercado de trabalho.

Segundo ele, você pode parecer pouco confiável se sair de um emprego pouquíssimo tempo depois de ter ingressado nele para “abocanhar” outra oportunidade. Pular de trabalho em trabalho desenfreadamente, sem completar projetos em nenhum deles, também pode manchar o seu currículo.

“É arriscado fazer ciclos muito curtos em cada emprego, porque assim não há tempo para fixar aprendizados”, diz o executivo.

Outro risco corrido pelo profissional inquieto é cumprir trajetórias de carreira horizontais. “O profissional sempre troca de empresa, mas jamais de cargo”, explica Sabino.

Ele explica que, dependendo do contexto, é melhor ser analista da empresa A e depois gerente da empresa A do que ser analista na empresa A, depois analista na empresa B, analista na empresa C, e assim por diante.

Recompensas

Mas o desassossego também tem uma face positiva. De acordo com Sabino, ser inquieto pode contar pontos para a atratividade de um profissional.

“Quem está sempre buscando oportunidades melhores é mais propício a inovar e a derrubar paradigmas no trabalho”, afirma o executivo. Essa “positividade agressiva” tem sido valorizada e procurada pelo mercado.

Para Sabino, o profissional “antenado” também pode descobrir oportunidades preciosas – que ficam invisíveis para quem não está atento ao mundo lá fora. “Pessoas com esse perfil podem ter ganhos de renda e de posição rapidamente se fizerem as escolhas certas”, diz.

Fonte: Exame.com

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