O que fazer quando o trabalho dos sonhos é uma grande decepção

Por Andrea Giardino (Você S/A)

Em fevereiro, o designer americano Jordan Price conquistou fama momentânea ao publicar em seu blog um relato de sua breve e frustrada experiência como funcionário da Apple na sede da empresa, em Cupertino, na Califórnia. Republicado pelo site Huffington Post, o texto havia passado em abril a casa das 22 000 curtidas e dos 3 000 compartilhamentos.

Jordan revelou sua alegria por ter sido contratado e sua enorme decepção com o que encontrou nos bastidores da Apple. Seu chefe gritava e insultava a equipe e ameaçava Jordan. O horário de expediente era longo e rígido. O excesso de reuniões drenava a produtividade.

Após seis meses, envergonhado por ter de desistir, Jordan limpou sua mesa, deixou uma mensagem descascando o chefe, voltou para casa e escreveu o texto. “Só sei que eu queria muito trabalhar na Apple — e agora não quero tanto assim”, diz Jordan, nas últimas palavras de sua confissão.

O desapontamento com um emprego é uma situação comum, em geral causada por um descompasso entre expectativa e realidade. Uma pesquisa do site Glassdor, que reúne avaliações de empresas por funcionários, mostra que, de cada dez profissionais que mudaram de emprego recentemente, seis se depararam com uma rotina muito diferente da esperada.

“As pessoas idealizam muito”, afirma Rafael Souto, sócio da Produtive, empresa de recolocação de Porto Alegre. Veja como se precaver de decepções no trabalho.

O mito da empresa perfeita

Para conquistar interessados em trabalhar nelas, muitas empresas promovem a imagem de que são lugares incríveis. Outras são marcas renomadas, que se aproveitam da reputação de seus produtos na captação de empregados, mesmo que internamente sejam ambientes ruins.

“É natural que as empresas só mostrem o que têm de melhor. O problema é que muitas vezes as regras do jogo não ficam claras”, diz a coach Eliana Dutra, do Rio de Janeiro. “Uma empresa pode ser excelente para muitos, mas não para todos.”

Falta de identificação com a cultura

É natural se sentir um forasteiro nos primeiros dias de um emprego novo. Falta conhecer as pessoas e os inúmeros códigos informais que regem os relacionamentos corporativos.

Se a sensação se prolongar, é sinal de que pode faltar identificação com a empresa. Aí é hora de avaliar se vale tentar uma adaptação, revendo alguns hábitos e analisando se suas crenças e seu estilo realmente são únicos e não podem ser mudados. Se a incompatibilidade for total, não adianta insistir.

Ambiente de forte pressão

O trabalho sob pressão afeta inúmeros mercados. Pouca gente escapa dessa realidade. Encontrar nos primeiros dias um ambiente assim pode ser traumático, por mais que a pessoa saiba do estilo da empresa.

O conselho é enfrentar o monstro. “O profissional precisa insistir um pouco antes de desistir”, diz Mara Turolla, diretora de coaching da consultoria Career Center,  de São Paulo. “As decisões devem ser mais racionais e menos por impulso.”

Problemas com o chefe

Um estudo da consultoria Page Talent — que contrata estagiários e trainees — com 600 jovens entre 18 e 24 anos mostra que 52% não se preocupam em conhecer o perfil dos chefes antes de aceitar uma oferta. Tentar saber mais sobre o futuro líder ajuda a prever problemas de relacionamento.

No convívio, a orientação é evitar o confronto. Se o caso for insuportável, deve-se tentar mudar de área, considerando que pode não haver outro lugar na empresa.

Falta de qualidade de vida

Uma promessa comum é a qualidade de vida. Muitas empresas, na hora de contratar, omitem que têm um ritmo insano. A regra é esperar até ter certeza de que não se trata de um pico passageiro de serviço. “Se os horários forem mesmo loucos, tente ganhar tempo em coisas como o transporte para o trabalho”, diz Mara Turolla, da Carrer Center. Se não for possível, considere sair.

Trabalho chato

Mesmo que o profissional faça o que gosta, encontrará atividades monótonas. A parte chata raramente é discutida na entrevista. Descobrir uma forma leve de encarar o lado entediante do trabalho facilita o dia a dia.

O problema é a falta de tarefas estimulantes. Uma opção é tomar a iniciativa. “Experimente propor um novo projeto para o chefe”, diz Mônica Ramos, diretora do serviço de transição de carreiras da consultoria LHH/DBM, de São Paulo.

Promessas não cumpridas

Muitos profissionais reclamam que, antes de entrar, a empresa vendeu uma imagem bem diferente da prática”, diz André Freire, presidente da Odgers Berndtson, empresa de recrutamento de executivos de São Paulo. Se isso ocorrer, o jeito  é se virar com aquilo que está disponível e renegociar as metas com o chefe, explicando que precisa dos recursos que foram  prometidos na entrevista.

Fonte: Exame.com

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