Especialista em carreira e gestão empresarial, Gehringer comenta sobre seu novo livro, diz que a atual crise pode oferecer oportunidades profissionais e pede paciência aos jovens que estão entrando no mercado de trabalho.

Após comandar grandes empresas e participar ativamente das transformações pelas quais o mundo corporativo vivenciou no Brasil nas últimas décadas, Max Gehringer tem um conselho muito claro para os jovens: paciência. “Hoje, parece que as pessoas se formam e já entram em uma empresa esperando a primeira promoção. Há uma certa impaciência para que as coisas aconteçam”, diz o administrador e autor de diversos livros sobre carreiras e gestão empresarial. Para Gehringer, o “jovem tem todo direito de ser ambicioso”, mas há uma certa pressa para viver o crescimento profissional — e essa pressa, segundo ele, só prejudica.

Com uma visão mais tradicional do mundo corporativo — dessas que não se adapta ou modela à qualquer startup que hoje vemos por aí —, Gehringer aconselha que o jeito mais seguro para evitar uma demissão é simplesmente preparando-se muito para isso. Na prática, significa fazer diversos cursos complementares a seu emprego, não parar de estudar e se provar muito esforçado. “Desse modo, dificilmente você vai ser dispensado. Mas se for, será a pessoa mais bem preparada para arrumar um emprego”, afirma.

Gehringer sabe o que está falando. Sua carreira começou em uma antiga fábrica da Cica, localizada em Jundiaí (SP), quando trabalhou como office-boy. Naquele tempo, conseguiu formar-se em administração de empresas e construiu uma trajetória de sucesso que o tornou um dos executivos mais cobiçados do Brasil nos anos 1990. Presidiu a Pepsi-Cola Engarrafadora e a Pullman, além de ter dirigido a Elma Chips e a PepsiCo Foods nos EUA. Na virada dos anos 2000, deixou a liderança no mundo corporativo para aconselhar milhares de brasileiros sobre como ser um funcionário melhor, obter um aumento ou lidar com os seus chefes ou subordinados. Nos últimos quinze anos, palestrou para mais de mil empresas e tornou-se um dos mais populares comentaristas de carreira, ao entrar para o time da CBN e ganhar um quadro no Fantástico. Colunista de várias revistas, Gehringer também escreveu diversos livros, entre os mais famosos, “Aprenda a Ser Chefe” e “Comédia Corporativa”.

Neste mês, é a vez de lançar “Todas as Respostas – O que a Bíblia ensina sobre Carreira e Empregos” (Editora Benvirá, grupo Saraiva), um livro que promete conselhos profissionais utilizando somente trechos bíblicos. Fruto de 13 anos de trabalho, Gehringer afirma ter escrito a obra sem pressa, esperando encontrar os trechos bíblicos precisos para 366 dúvidas de ouvintes que recebia por meio do rádio. Há inspirações para temas como inveja, acomodação, camaradagem, desobediência, castigo e aumento. Em entrevista, ele comenta alguns desses tópicos, o relacionamento dos chefes com a geração Y e como se preparar profissional e pessoalmente para enfrentar um mercado em crise:

Em “Todas as Respostas”, você aborda tópicos que vão desde a inveja até assuntos mais contemporâneos, como a acomodação no mercado de trabalho e a relação com o chefe. Quais questões o senhor considera como os maiores desafios e problemas que profissionais enfrentam hoje?

Pouquíssimas coisas que existem hoje e que fazem parte do nosso dia a dia existiam quando os livros bíblicos foram escritos. O que permaneceu da mensagem básica da Bíblia é o “não faça com o outro o que você não quer que façam com você”, que serve para o chefe, por exemplo. Não trate seus funcionários da maneira como não gostaria de ser tratado pelo seu chefe e respeite a pessoa que está do seu lado — você não sabe de quem vai precisar um dia. São lições milenares, que se repetem e são aplicáveis no dia de hoje. Mas levei em conta que a grande maioria das mensagens que recebo envolve relacionamento: “alguém não gosta de mim”, “alguém tem inveja de mim”, “alguém quer puxar meu tapete”,” alguém quer furar meu olho”, “eu não tenho sorte na vida”.

São problema de relacionamento, então, que mais afetam os brasileiros nas empresas?

Tenho impressão de que até historicamente o brasileiro, de modo geral, sempre gostaria que alguém fizesse alguma coisa por ele. Ele está sempre esperando que alguém faça. Como povo, nós somos muito mais reativos do que proativos. É aquela coisa de pensar que o governo não está fazendo algo por mim, os políticos não estão, a minha empresa não está. Mas, ao mesmo tempo, não há aquela proatividade de dizer “bom, se alguem não está fazendo nada por mim, eu vou fazer algo por mim para resolver a situação”. Parece que somos mais de reclamar e esperar do que partir para alguma decisão que vai mudar radicalmente a nossa vida. Quando as pessoas me escrevem têm muito do componente “acho que alguém deveria estar fazendo algo por mim e não está”. E sempre que respondo, procuro sugerir que a pessoa tente ela mesma fazer alguma coisa — independentemente da situação que a levou a reclamar.

Em um dos tópicos do livro, o senhor fala sobre quando o chefe pede ideias, mas não acata nenhuma das sugestões. E a lição que traz é “continue sugerindo, você está bem, porque está fazendo sua parte”. Essa é uma reclamação constante das pessoas?

Há muito disso sim. Principalmente de pessoas que escrevem para dizer que não querem dar ideias por medo que sejam roubadas. Ou que oferecem muitas sugestões e as sugestões não são aceitas. É que cada caso é bem diferente do outro. Às vezes, duas pessoas que escrevem coisas muito parecidas, podem estar vivendo situações diferentes. Mas acho que dar sugestões é sempre algo positivo e também sugestões fora da área que atuamos. Se você já passou por alguma empresa que tem uma caixa de sugestões, sabe que é divertido de ver a pessoa da contabilidade sugerindo ideias para a área de vendas. O problema é que quando estamos em uma empresa, o que esperamos é que quem está fazendo a mesma coisa oito horas por dia a vida inteira enxergue o que está fazendo e ofereça uma melhora — mas não uma melhora naquilo que os outros estão fazendo. Esta é uma reclamação comum: de gente falando do trabalho dos outros.

E existe muita gente hoje confusa no mercado, porque um fator que era um tremendo diferencial até a década de 1990 era o fato de que pouca gente tinha curso superior no Brasil. Mas hoje praticamente todo mundo tem. Não é mais difícil ter um curso superior. Mas ainda há aquele vestígio do passado de que se a pessoa tivesse um curso superior já teria um futuro garantido. Muitas mães disseram isso para filhos quando eles partiram para curso superior e hoje percebemos que o maior índice de desemprego no mercado de trabalho é o de jovens, de 18 a 25 anos, que possuem curso superior.

Quais as consequências desse pensamento na carreira dos jovens?

É logico que quem se forma e vai para o mercado não encontra a facilidade que talvez esperasse encontrar e fica extremamente confuso. Aceita um trabalho que é inferior ao estudo que tem e, portanto, à capacidade que pensava ter. Outro fator que eu vejo muito é uma certa impaciência: qualquer coisa ou problema que acontece as pessoas já pensam que devem pedir as contas. Raramente pedir é a melhor solução. Pedir as contas é algo que se de que fazer lá na frente. Biblicamente, somos ensinados a ter paciência, a suportar certas situações, a tentar entender porque as coisas são como são e não achar que tudo está contra nós, não pensar que há uma conspiração mundial focada em nos prejudicar.

Podemos dizer que hoje vemos um movimento específico desses jovens: muitos, quando veem que o diploma que têm não lhe garantem emprego, fazem um monte de cursos sem nenhum plano ou objetivo específico. É essa a percepção do senhor, de que há tanta oferta hoje que as pessoas até ficam um pouco meio perdidas sobre o que e onde estudarem?

Sem dúvida. Outra facilidade que virou dificuldade é a quantidade de cursos superiores diferentes que hoje existem no Brasil. Não tenho número certo, mas a última vez que vi a listagem do Ministério da Educação contei quase 180 cursos diferentes. Ou seja, as gerações anteriores tiveram que optar por, no máximo, uma dúzia de cursos. Hoje, há 180. No meio desse total, existem certos cursos que têm nomes muito atrativos, como oceanografia e engenharia ambiental. É claro que os jovens veem esses cursos e pensam, “que legal, vou estudar engenharia ambiental porque ajudarei a melhorar o mundo”. Mas, ao se formarem, descobrem que não existe tantas vagas para comportar todos os formandos desse curso. Aí ele pensa, “vou fazer mais cursos, pós-graduação, intercâmbio…”. E a situação vai ficando cada vez complicada.

Algo que eu sempre sugeri é: faça um curso conservador, administração, por exemplo. Comece a trabalhar e, depois, dentro da empresa, veja para onde você se encaminha e comece a fazer cursos de especialização naquela área. Porque aí você tem plano, direção e futuro. Não é preciso colocar isso necessariamente no papel e dizer: daqui um ano ou dois anos, eu vou fazer isso. Mas é preciso ter uma direção e, para isso, é muito melhor começar com um curso mais genérico e depois ir particularizando com o passar do tempo e da situação que a própria pessoa desenvolve para ela dentro da empresa. Em vez de ficar achando que uma tonelada de diploma vai compensar a falta de um quilo de experiência.

Você vê certa impaciência dos jovens? No sentido de se frustrarem rapidamente, exigir uma promoção ou ascensão rápida ou não estarem satisfeitos com o chefe direto?

Vejo, sim. Sempre disse para mim mesmo que talvez tenha vindo de uma das últimas gerações, senão a última, que não tinha ambição quando era jovem. Com pais — como era meu caso — que só tinham concluído quatro anos de escola, ter um filho que fizesse oito anos de escola já era o dobro do que eles tinham conseguido. Hoje, oito anos de escola não é nada. Nunca fui cobrado em casa a estudar, para que com aquele estudo conseguisse uma posição de comando em uma empresa.  Hoje, parece que as pessoas se formam e ja entram em uma empresa esperando a primeira promoção. Há uma certa impaciência para que as coisas aconteçam.

Como é o jeito certo de esperar por uma promoção?

Acho que todo mundo esquece quem tem uma carreira estupidamente bem-sucedida no mercado de trabalho — em 25 ou 30 anos — vai ser promovido no total de sete vezes. Lembrando que isso é sem contar aquelas promoções que parecem promoções, mas não são, de auxiliar júnior para auxiliar pleno, para auxiliar sênior etc. No fundo, continua sendo auxiliar. Porque sempre falo para as pessoas que existem dois tipos de promoção. O primeiro é quando você não manda em ninguém e então passa a mandar. A segunda promoção ocorre quando a pessoa que é seu subordinado passa a ter um subordinado também. Isso vai ocorrer ao menos sete vezes para você chegar à presidência de empresa. Agora, se vai ocorrer sete vezes em trinta anos, não adianta querer que aconteça quatro vezes em cinco anos. Então, há esse certo desespero de “já estou trabalhando há três anos e ainda não fui promovido”. Por um lado, existe a soma da ambição de que a coisa aconteça, e todo jovem tem direito de ser ambicioso. Mas há também a pressa para que isso aconteça. A ambição não prejudica, a pressa sim. E aí, no fim, coloca toda a culpa por algo não acontecer no chefe.

Os chefes têm alguma ‘culpa’ nessa história. Há muita gente que defende que, com a mudança nas estruturas corporativas tradicionais, os chefes não sabem lidar com a geração Y. O senhor acredita nisso?

Não, não acho isso. Sempre digo, principalmente quando falo para jovens, que nenhum empregado no mundo até hoje, nem no Brasil, foi admitido por uma empresa tendo como uma de suas atribuições avaliar o desempenho do chefe. E essa é justamente a primeira coisa que todo mundo faz. O cara está dez dias na empresa e já está dizendo que seu chefe é incompetente. E ele não percebe que é como se dissesse que a pessoa que promoveu seu chefe, que deve ter 15 ou 20 anos de empresa e ocupa um cargo de gestão, promoveu seu chefe de maneira errada. É pensar: ele não merecia e eu, que acabei de chegar, estou começando agora a carreira e já tenho condições de avaliar que meu chefe é incompetente.

Por outro lado, todo mundo que chega no mercado de trabalho, chega com um tipo de educação em casa que ja não é tão feroz como foi em gerações passadas. O jovem hoje tem mais liberdade para falar, agir, pensar, passear, ir para rua, fazer passeata e essa situação não se replica numa empresa. Existe a necessidade de se acostumar com isso. Ou seja, ver que entrou num mundo diferente. Esse universo empresarial é diferente do universo que eu conheci, é mais hermético, os chefes são mais severos porque são cobrados pelos resultados. Então, na minha cabeça, eu pensaria que caberia a mim, como subordinado, fazer com que o chefe saia bem na fita. E não ficar avaliando se ele é o chefe que eu gostaria de ter ou não. Isso foi o que o destino me deu por enquanto. Vou aproveitar esses meses ou anos que passarei no emprego para aprender o máximo que posso e, um dia, quando me tornar chefe, tratarei as pessoas do modo que eu gostaria de ter sido tratado no meu primeiro emprego.

Em outro tópico do livro, o senhor discorre sobre emoção, incentivando que as pessoas demonstrem seus sentimentos no ambiente corporativo e, defendendo, que “até jesus chorou”. Há um limite ou ideal entre o funcionário que só responde “sim” e aquele que expressa ativamente o que sente e acha?

Varia muito de empresa para empresa. Tem empresa que não aprecia muito manifestações emocionais durante o expediente, é mais rígida. Existem outras que incentivam. Trabalhei nos dois tipos. Em uma a emoção parecia livre, as pessoas podiam se abraçar de manhã quando chegavam para trabalhar. E em uma outra, tínhamos de ficar a três metros um do outro. Eu sempre gostei mais de trabalhar em empresas onde as emoções brotassem mais facilmente, porque assim a gente aprendia a conhecer melhor o outro. E tenho a impressão de que a pessoa que consegue manter um padrão assim de seriedade, oito horas por dia, não está revelando quem ela realmente é. Todos nós somos mais ou menos emocionais. Quando eu trabalhava em empresa, chorava muito. Chorava principalmente em momentos de alegria, era quando meus olhos lacrimejavam. A gente tem tantas emoções que ocorrem, pelo bem ou pelo mal, e que a gente precisa desabafar. Mas existem várias maneiras. Tem gente que acha que é melhor desabafar dando soco na parede, chutando cesto de lixo ou ofendendo o próximo. É uma decisão de cada um.

Ou seja, entender o que aquele ambiente exige, sem ficar muito preso a uma estrutura?

É entender o que nós somos e o que a empresa espera que nós sejamos. E quando as coisas definitivamente não batem, aí sim, está na hora de ir para outro lugar. É quase impossível alguém que diz, “eu trabalho em empresa que é…” e, aí, dá uma descrição que não bate em quase nada com o que a pessoa é. Na minha cabeça, é mais ou menos óbvio que o funcionário não vai conseguir mudar a empresa — ele é que precisa mudar em função da empresa. E se ele sentir que isso vai ser impossível, precisa procurar uma empresa que seja mais parecida com ele. É por isso que existe uma coisa chamada entrevista. Esse “entre”, primeira parte da palavra, significa “duas mãos”. Todo mundo imagina que em uma entrevista é só para responder o que perguntam, quando na verdade é pensar em quais perguntas fazer para a empresa. Assim, a pessoa também pode tomar uma decisão se for chamada, pensar se aquele é um lugar em que ela realmente quer trabalhar. Mas pouca gente faz isso.

Em outro tópico, o senhor comenta especificamente sobre castigo e obediência e cita um trecho bíblico que diz: “Prudente vê o perigo e toma precauções, mas o ingênuo segue adiante e paga o preço”. O que é ser um funcionário ingênuo?

É simplesmente uma questão de tomar decisões. Quando a gente é jovem e tem o primeiro namorado/namorada, sempre pensamos antes no que falar para convencê-lo a sair conosco. Mas aí, quando chegamos lá e dizemos a primeira coisa e vemos que a resposta não é o que esperávamos, tudo vira geleia. Porque ingenuamente nos preparamos para uma única situação e uma única resposta. Defino isso como ingenuidade. É não ver tudo que pode decorrer de uma atitude, de uma decisão que tomamos. O sábio pensa em cinco consequências — e soluções — diferentes. Para mim, a sabedoria é esse acúmulo ou de experiência ou de preparação para algo que talvez possa acontecer.

Falando especificamente sobre aumento, no tópico a respeito disso no livro, o senhor cita um trecho bíblico que diz: “Vocês pedem e não recebem porque pedem mal, para consumir seus próprios prazeres”. De que modo isso se aplica no mercado de trabalho?

É claro que essa frase não foi escrita para quem está pedindo um aumento. Agora, aplicada ao mercado de trabalho, significa: se você pede errado, você não recebe. O que é pedir errado? É pedir um aumento para resolver um “problema meu”, “como funcionário”. E não um problema da empresa. É eu chegar e dizer: “eu preciso de um aumento, porque eu não consigo pagar a conta no final do mês”. Esse não é um problema da empresa. “Eu preciso de um aumento porque não tenho dinheiro para pagar a faculdade.” Isso não é um problema da empresa. “Eu pedi um aumento porque recebi uma proposta de uma outra empresa e estou mudando de emprego.” Esse é um problema da empresa. Quando o problema é da empresa ou quando ela reconhece que pode ter um problema, como pior exemplo, perder um bom funcionário, é muito mais receptiva a ouvir um pedido.

Agora, se o funcionário acha que merece um aumento, não está tendo e quer fazer algo a respeito, a melhor atitude sempre é não pedir diretamente pelo aumento, porque todo chefe tem uma resposta pronta para essa pergunta: não. E aí ele cita qualquer motivo que vier à cabeça dele. O que sugiro é sempre pedir por uma oportunidade. Existe uma diferença enorme entre dizer: eu queria um aumento ou o que eu preciso fazer nos próximos seis meses para merecer um. Isso porque, no fim, eu estarei dizendo para a empresa o seguinte: eu pretendo nesse meio de tempo mostrar que o resultado do meu trabalho vai pagar um aumento que eventualmente a empresa me der. E aí não há chefe que não seja receptivo a isso.

O momento que vemos hoje no mercado de trabalho é de enxugamento de custo geral, demissões em massa e sobrecarga. Vemos muitas pessoas reclamando que estão sobrecarregadas após alguém da equipe ser demitido. Qual conselho você dá para esses profissionais?

Passei por diversas crises econômicas enquanto trabalhava em empresas e posso dizer que as melhores oportunidades que tive na carreira surgiram em tempo de crise. Naqueles tempos que não há muito dinheiro e quando todo mundo precisa se esforçar um pouco mais, ter ideias, apresentar sugestões. Finalmente, quando termina um período de crise, vem o período de calmaria e é quando fica muito claro quem se esforçou para ajudar a empresa naquela situação ou quem só ficou reclamando. Esse é um período que temos que passar em qualquer empresa, para apreciar melhor os momentos bons na carreira. É lógico que é muito melhor ficar empregado mesmo tendo de trabalhar por dois do que perder o emprego. Mas um ponto aqui que sempre aconselhei as pessoas: se você se preparar muito bem para ser demitido, dificilmente vai ser. Se estudar tudo que tem de estudar, fazer cursos complementares, mostrar que é esforçado no trabalho, dificilmente você vai ser dispensado. Mas se você for, será a pessoa mais bem preparada para arrumar um emprego.

Mesmo com a crise econômica fechando diversas empresas e setores sendo esvaziados?

É logico que pode ter um componente de azar e as pessoas são demitidas por várias razões — tecnológicas, por exemplo. Mas as que estão preparadas para fazer três ou quatro coisas podem ser remanejadas internamente. Eu preferiria que ninguém fosse demitido, que houvesse pleno emprego, que as estatísticas mostrassem pouca gente desempregada, mas entendo que no Brasil temos uma crise atrás da outra. Esse país é coisa de louco.

Eu me lembro da minha época de executivo, que toda vez que a gente ia apresentar os planos para aquele ano, alguém dizia: “esse ano vai ser atípico”. E então era quando eu retrucava: “explica para mim o que é um ano típico no Brasil?” É um ano que tem inflação alta, baixa, dólar alto, emprego para todos, emprego para ninguém. Nós não conseguimos definir no Brasil o que é um ano típico. Nós não somos a Suíça. Esse é um país que nós temos que estar sempre preparados para que, mesmo que as coisas estejam indo bem, em um determinado momento, elas podem não ir. E aí, pensar o que faríamos a respeito. Quer dizer, não se acomodar nunca.

Por Barbara Bigarelli / Fonte: Época Negócios

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