A maior derrota do Brasil em Copas causou uma saraivada de ofensas contra a seleção; o que fazer com os críticos quando é a sua carreira que leva uma “goleada”?

Por Claudia Gasparini

Poucos de nós lidaram bem com a vexatória derrota brasileira contra a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo. Diante do inexplicável placar de 7 a 1, faltaram palavras – e sobraram palavrões.

Justas ou injustas, críticas são comuns dentro e fora dos gramados. Que profissional estaria a salvo delas, se nem o time estelar de Luiz Felipe Scolari, incentivado e amado pela nação durante todo o campeonato, conseguiu se livrar de xingamentos e acusações depois de perder?

Para lidar com os feedbacks negativos que necessariamente surgem ao longo da vida profissional, ter preparo emocional é decisivo, sugere Rogério Boeira, fundador da escola de aprendizagem corporativa Cultman.

Isso não significa negar ou suprimir a mágoa causada por uma crítica especialmente contundente ao seu trabalho. “O pior erro que você pode cometer é ignorar que ficou magoado com uma bronca”, afirma o consultor.

No episódio envolvendo a seleção brasileira, assistimos aos jogadores chorando e pedindo desculpas para os torcedores – o que poderia sugerir desamparo e fragilidade diante da reprovação alheia.

No entanto, para Boeira, a vivência da mágoa é positiva. “É importante vivenciar e digerir o ‘luto’ causado pela frustração das expectativas do outro”, explica. Isso porque, a partir desse sentimento, podem surgir reflexões, insights e, principalmente, lições.

Fui eu

Quando surgem críticas, é comum que o indivíduo busque justificativas e transfira responsabilidades, de acordo com o coach Homero Reis. Segundo ele, esse comportamento tem raízes comportamentais e culturais.

“A educação ocidental nos deseduca a assumir a culpa pelo mal que nos acontece”, afirma o especialista. A frouxidão das regras e outros elementos da cultura do brasileiro contribuem para acentuar essa tendência, na opinião do especialista.

No entanto, ele explica que assumir a participação pessoal num fracasso é fundamental para que dessa experiência negativa se possa extrair algo de aproveitável.

Reis lembra que Felipão declarou que a derrota histórica da seleção na Copa decorreu das suas escolhas. “Além de demonstrar humildade, esse tipo de postura facilita o processamento das críticas e permite que elas sejam realmente úteis ”, explica o coach.

Vergonha e ressentimento

Com tanta sensibilidade à crítica, há pouco espaço para o feedback nas empresas, na opinião de Eduardo Ferraz, consultor em gestão de pessoas.

“Esse quadro é muito grave, porque a maioria das pessoas só vai descobrir que seu trabalho estava sendo mal avaliado quando recebe a notícia de sua demissão”, diz o consultor

Na opinião de Ferraz, mesmo as críticas “destrutivas” podem ser mais úteis do que se imagina. “No mínimo, podem revelar que o seu crítico não gosta de você, o que serve como um termômetro do seu ambiente”, explica.

Mas às vezes, explica o especialista, nem a má vontade, nem o mau humor e nem a inveja do outro são os fatores por trás de uma reprovação.

Críticas precisam parar de causar vergonha e ressentimento, de uma vez por todas, alerta o consultor. “Se for pertinente, sincero e relevante, mesmo o feedback mais negativo deve ser absorvido inteiramente, e acabará sendo um grande incentivo para crescer”, diz Ferraz.

Fonte: Exame.com 

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