Ter a chance de subir a hierarquia nem sempre pode ter um efeito positivo para a sua carreira; veja o que pesar na balança na hora de topar ou não a promoção

Por Talita Abrantes

Na mira de todo trabalho bem feito está o objetivo de não ficar parado no mesmo lugar – profissionalmente falando. Por isso, para quase todos profissionais, crescer na carreira é um fim.

Só que isso não significa que toda proposta de promoção no trabalho pode ser útil para a sua carreira. “É uma responsabilidade enorme com a empresa, mas, mais ainda, com a sua imagem profissional”, diz Alexandre Prates, coach e sócio do Grupo Alquimia.

O problema é que muita gente se esquece deste pressuposto básico e, com um sorriso brilhante no rosto (provavelmente, já pensando na conta bancária), topa o desafio sem analisar as entrelinhas das novas obrigações no trabalho.

“A tendência é vincular a promoção ao reconhecimento”, diz Simone Leon, diretora de gestão de carreiras e talentos da Right Managment.

Esquece-se, portanto, que subir na hierarquia ou ganhar mais funções é apenas uma das inúmeras formas da empresa mostrar que você está indo bem. O “porém” é que a promoção “nem sempre traz reconhecimento futuro”, segundo afirma a especialista.

Por isso, antes de gritar para o mundo “eu aceito ser promovido”, a dica é parar para refletir sobre algumas questões. Veja quais as perguntas pertinentes para este processo:

Como eu fui avaliado?

Saber quais foram os critérios que o chefe usou para escolher você para a nova função pode ser um bom pontapé na sua reflexão sobre a oportunidade. Às vezes, a resposta pode ser óbvia: você era o próximo na linha de sucessão e já sabia disso.

Mesmo nestes casos, vale buscar um feedback para buscar indícios do que influenciou a decisão e assim entender quais pontos fortes a empresa enxerga em você bem como em que ainda precisa se desenvolver para dar conta do peso da nova função.

Quais habilidades serão demandadas?

Um dos passos centrais para saber se você dará conta do recado é fazer um mapeamento das habilidades técnicas requeridas pelo cargo em questão e compará-lo com o que você já domina.

Se a distância entre a demanda e o seu perfil técnico for grande, a solução é ser transparente e negociar uma saída para isso – nem que a única solução seja recusar a proposta.

Que habilidade comportamental precisarei ter?

Subestimadas por muita gente, as habilidades comportamentais, na prática, são as que mais pesam na hora de uma demissão. Por isso, também é fundamental saber se você está pronto para encarar o que vem pela frente.

Se vai ser chefe, você tem condições de liderar uma equipe? Sabe delegar? Dar feedback? “Tem condições de suportar a pressão que o novo cargo vai exigir?”, questiona Prates.

Quem será meu chefe?

Ao assumir o novo cargo, quem passa a ser seu chefe direto? Qual é o estilo de gestão dele? Diante da resposta, olhe para dentro de si e questione: “Como eu lido com diferentes estilos de gestão? Em que tipo de ambiente de trabalho tenho melhores resultados?”, sugere Patrícia Volpi, da GNext MBA. As respostas convergem? Você conseguiria encarar o tipo de chefe que a promoção traz?

Que resultados terei que entregar?

“Tudo tem seu preço;”, afirma Patrícia. Ou seja, o status mais elevado e o dinheiro a mais no holerite vêm com um ônus. Qual é o seu? É essencial investigar como você será avaliado e o que se espera do seu desempenho no curto, médio ou longo prazo. E, assim, coloque na balança o preço e a oportunidade.

Tenho condições pessoais de arcar com os custos da nova função?

É hora de sair do campo profissional e olhar para a sua agenda fora do expediente. Os requisitos da função atropelam seus planos pessoais? O que você terá que abrir mão ao aceitar o novo cargo? Suas condições pessoais são favoráveis? Ou não?

“É preciso pensar que impacto isso vai trazer para o seu dia a dia. Às vezes, você terá que adiar um plano ou envolver outras pessoas na decisão”, diz Simone.

A promoção agrega ao seu plano de carreira?

Com tudo isso em mente, vale analisar se a promoção vai ao encontro do que você vislumbrou para o futuro ou se caminha para a direção oposta.

Lembre-se: nem sempre dá para construir uma trajetória linear na carreira. Até porque “escadas são instáveis”, como disse Carol Bartz, ex-CEO do Yahoo!, em 2012. Ou seja, encarar a ascensão profissional como tais pode diminuir suas alternativas no futuro.

Por conta disso, vez ou outra, uma oportunidade que não tem tanta relação com seu projeto profissional pode, no fim, acabar contribuindo mais para seu objetivo do que se você tivesse trilhado o caminho convencional. Portanto, fique atento para a maneira como a nova função pode desenvolver você.

O aumento é digno?

Por fim, não ceda aos encantos das cifras apresentadas pelo chefe. Ganhar 40% a mais nem sempre significa mais dinheiro no bolso de fato. “Será que seu estilo de vida não vai ter que aumentar?”, questiona Prates.

Por exemplo, se a nova função pressupõe viagens, você terá que arcar com estes custos? Ou por causa do desafio, terá menos tempo em casa e, portanto , precisará contratar uma empregada? Por aí vai.

Faça as contas, se o saldo der negativo, talvez a promoção não valha tanto a pena assim.

Fonte: Exame.com

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