Receber um cargo de liderança soa como ganhar um presente: além de um salário maior, você terá o poder de tomar decisões e influenciar os rumos da empresa para a qual trabalha. Outras pessoas vão escutar e acatar as suas ideias. Isso para não falar no status que você passará a exibir para familiares, amigos e pares do mercado.

O que muita gente esquece, ou prefere ignorar, é o preço do poder — que é bem mais alto do que se imagina. Na visão de Vince Molinaro, diretor global de soluções de liderança da LHH e autor do livro “Liderança é um contrato” (Primavera Editorial, 2016), tornar-se chefe significa assinar um exigente “contrato” consigo mesmo, com os demais e com o empregador.

A principal cláusula desse contrato é tomar a decisão de se tornar um líder — no seu foro íntimo, não só oficialmente.

“Muitos profissionais se tornam chefes porque se destacaram em alguma função técnica, eram ótimos engenheiros, ótimos vendedores etc”, explica Molinaro. “Eles ganharam postos de comando, mas ainda se enxergam como técnicos”. Para ter sucesso, é preciso assumir verdadeiramente a identidade do gestor, e agir em conformidade com ela.

Mas como fazer isso sem saber exatamente o que significa liderar?

Para entender o conceito, diz Eva Hirsch Pontes, coach e professora convidada da Fundação Dom Cabral, é importante lembrar que a transição de uma função técnica para um cargo de gestão exige três grandes mudanças.

A primeira tem a ver com a administração do tempo. Em vez de dedicar a maior parte da sua agenda a assuntos e tarefas individuais, será necessário abrir mais espaço para reuniões, apresentações para a equipe e encontros de relacionamento. Afinal, a sua prioridade deixa de ser você mesmo e passa a ser o outro.

A segunda novidade é buscar resultados não por meio do próprio trabalho, mas em função do desempenho de outras pessoas. “Você pode ter entregas de altíssimo nível, mas será mal avaliado se a sua equipe não tiver um bom resultado”, afirma Pontes. “Isso é uma mudança de paradigma radical”.

Finalmente, continua a professora, mudam as habilidades esperadas de você. Não interessa tanto se você tem um grande domínio técnico da sua profissão: é mais crítico que você saiba delegar, motivar, planejar, organizar e administrar recursos.

Mas como saber se você está pronto para todas essas mudanças? A EXAME.com, Molinaro e Pontes indicaram 3 sinais de que um profissional ainda não é capaz de assumir esse desafio:

1. Você aprecia mais o título do que a função

A ideia de ser chefe pode ser bastante sedutora, mas por motivos errados. Se você quer assumir o comando só por causa do dinheiro e do status, melhor repensar sua decisão. Segundo Pontes, o líder é justamente aquele que não olha apenas para si mesmo, de forma egocêntrica, mas tem foco no coletivo.

“É preciso ser apaixonado pela ideia de ajudar os demais a terem sucesso”, completa Molinaro. Se você só está atrás dos “louros”, é provável que vá se decepcionar com o que vai encontrar quando chegar lá: menos glamour e mais cobranças do que imagina.

2. Você não tem certas habilidades

“Soft skills” ou competências comportamentais são indispensáveis para assumir a função. Inteligência emocional, autopercepção, resiliência e facilidade para negociar são algumas das habilidades básicas de um gestor.

A dica de Pontes é se informar sobre quais são as capacidades esperadas de um chefe na sua empresa ou na sua área de forma geral. Ao saber dessas expectativas, fica mais fácil se preparar para atendê-las algum dia. É bom lembrar que você também será cobrado do ponto de vista técnico: será preciso entender o básico de contabilidade e legislação, por exemplo, além de dominar certos softwares de monitoramento de resultados.

3. Você não é bem relacionado

Molinaro diz que pessoas vistas pelos demais como egoístas, arrogantes ou “donas da verdade” não estão em condições de assumir a liderança. O motivo é a necessidade de ter uma boa reputação e um excelente networking para liderar. “É preciso se conectar com outras pessoas, inclusive com outras lideranças, para atuar em comunidade”, afirma.

Segundo Pontes, é importante avaliar como anda o seu relacionamento com as pessoas estratégicas dentro e fora da sua organização. A sua interação com eles está no verde, no amarelo ou no vermelho? Faça um mapa das suas relações e descubra em quais delas você ainda precisa investir para se preparar para a liderança. “Um gestor precisa ser bem relacionado, ou não conseguirá motivar, convencer ou influenciar ninguém”, explica a coach.

Fonte: Exame

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